Hércules viveu um filme repetido com o Fluminense na Copa do Mundo de Clubes. Depois de balançar as redes no segundo tempo diante da Inter de Milão-ITA, o volante de 24 anos, natural do Piauí, voltou a virar herói ao entrar depois do intervalo e marcar o gol que garantiu a classificação tricolor à semifinal do torneio com a vitória por 2 a 1 sobre o Al Hilal-SAU, ontem, em Orlando, e foi eleito o melhor jogador da partida na votação popular no site da Fifa.
A emoção foi tanta — e o calor também — que Hércules se sentiu mal e teve ânsia de vômito quando dava entrevistas na zona mista. Segundo o Fluminense, está tudo bem com o jogador.
Agora em viés de alta no clube, Hércules teve que superar as críticas da torcida em seu início com a camisa tricolor e chegou a ser vítima de boatos falsos sobre a “vida noturna” no Rio de Janeiro — o clube desmentiu prontamente o caso.
Com poucas palavras e muito trabalho, o atleta demonstrou resiliência e criou uma casca para não fechar os olhos do que sofreu no passado, mas se orgulhar do que vem construindo com a camisa do Flu.
— Primeiramente, quero agradecer a Deus por isso estar acontecendo na minha vida. Quando eu cheguei ao Fluminense, passei por uma situação complicada. Minha família, companheiros, todo mundo do clube me ajudou e deu forças pra continuar trabalhando — lembrou Hércules.
O volante foi contratado junto ao Fortaleza por R$ 29 milhões e é a segunda maior contratação da história do Flu — atrás apenas de Canobbio (R$ 37 milhões). Com vínculo até 2029, Hércules chegou sob grande expectativa, porém, não conseguiu corresponder às em um primeiro momento. Em meio à insatisfação da torcida, o jogador demonstrou dificuldades de adaptação, até por ter um perfil introvertido fora de campo. À época, ele chegou a desativar as redes sociais e foi defendido por companheiros de profissão, como Felipe Melo.
O ex-jogador do Flu, aliás, viu de perto outra atuação heroica do volante e fez questão de relembrar os momentos de dificuldade que afetaram não só a rotina do atleta, como a de sua família e pessoas próximas.
— Quando aconteceu, eu não conhecia o Hércules e falei com alguns jogadores do Fluminense. Todos me falaram que esse garoto não saía de casa, com a mãe acuada, morrendo de medo porque mandaram mensagens nas redes sociais dizendo que iriam matar o menino. Ele com filho pequeno em casa, a mãe dele falando que tinham que voltar para Fortaleza. O defendi porque tinha certeza do caráter dele. Não é todo mundo que chega em um clube e joga igual ao Pelé e Maradona. O Hércules precisou do seu tempo de adaptação — contou Felipe, em transmissão do Sportv.
Hércules adota um perfil extremamente reservado fora das quatro linhas. Sem deixar de lado a simplicidade de um jovem nordestino, ele quase não compartilha os momentos com a mulher Sara e o filho Matheus, de 2 anos.
— Quando eu saí do Fortaleza para o Fluminense, foi uma caminhada complicada. Para a gente que é do Nordeste, as coisas são mais difíceis, mas nunca desisti. Sempre tive minha família do meu lado, sempre me dando forças pra continuar — disse.
Titular em todos os jogos da fase de grupos, quis o destino que Hércules entrasse no segundo tempo contra a Inter de Milão e o Al-Hilal para carimbar seu nome na história com dois gols que o tornam o artilheiro do Fluminense na competição.