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Um grupo de aproximadamente 15 homens armados com fuzis e pistolas invadiu, em novembro de 2014, o Hospital estadual Azevedo Lima, no bairro do Fonseca, em Niterói, e resgatou o traficante Johnny Luís da Silva, o Bebezão, que estava internado sob custódia policial.
Na ocasião, os bandidos ainda fizeram um arrastão dentro da unidade: renderam um PM que estava de plantão, trancaram médicos e enfermeiros no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e fugiram com celulares e carteiras de pacientes, acompanhantes e funcionários. Alguns minutos antes, os criminosos mataram a tiros o subtenente da PM Celso Milício de Oliveira, de 54 anos, e feriram sua mulher, Roseli Barcelos, de 41, ao roubarem o carro do casal, em São Gonçalo, para seguirem em direção ao hospital.
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Então chefe da quadrilha que comandava o Morro da Pedreira, em Costa Barros, Bebezão foi baleado um mês antes, durante um assalto a carretas de cigarros na Pavuna, Zona Norte do Rio. Inicialmente, ele foi internado no Hospital estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas foi transferido para Niterói a pedido do comando da PM, que acreditava que a distância diminuiria a chance de fuga. À época, acreditava-se que o bonde armado deixou a Pedreira, atravessou a Ponte Rio-Niterói e seguiu em direção ao hospital. Bebezão foi preso no ano seguinte.
Souza Aguiar: invasão com tiros e granadas para resgatar bandido deixa um morto
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Em junho de 2016, o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio, foi invadido por 25 bandidos. Na ocasião, o objetivo da empreitada — que parecia filme de terror, com arremessos de granadas e trocas de tiros — era resgatar Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, que estava internado devido a um ferimento no rosto causado durante um confronto com a polícia.
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O sargento da Polícia Militar Fábio Melo, que fazia a custódia do traficante, contou que ficou sob a mira de fuzis e pistola de seis traficantes, enquanto os demais faziam reféns no pátio do hospital. O dono de uma barraquinha de doces, que trabalhava na porta da unidade, foi usado como escudo. Na ação, Ronaldo Luiz Marriel de Souza, filho de um oficial da Marinha, estava no hospital para receber atendimento, foi baleado e morreu.
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Três meses após a ação de resgate no hospital, Fat Family, que chefiava o tráfico do Morro Santo Amaro, no Catete, foi morto durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
Maternidade invadida por traficantes em busca de médico para atender ferido
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Já em outubro de 2016, o Hospital Maternidade Herculano Pinheiro, em Madureira, foi invadido por traficantes do Morro São José Operário, na Praça Seca. Segundo o Sindicato dos Médicos do Rio (SinMed/RJ) informou na ocasião, os bandidos — que estavam armados — invadiram a unidade solicitando que um médico fosse à comunidade para prestar socorro a uma pessoa que estaria ferida por tiro. Naquele dia, a comunidade dominada pelo grupo foi alvo de uma operação policial para prevenir roubos na região, assim como combater o tráfico de drogas. A PM reforçou o patrulhamento no local.
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Bandido resgatado e médico sequestrado em UPA
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A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Complexo da Maré foi invadida, em outubro de 2017, por um grupo 50 homens armados, para resgatar um comparsa. Os suspeitos ainda sequestraram um médico, que foi obrigado a entrar numa ambulância, que foi roubada pelos criminosos, para acompanhar a transferência do traficante baleado para outra unidade de saúde. A polícia suspeita que o bandido tenha sido levado para um hospital clandestino do tráfico.
O médico chegou a alertar que, pela gravidade dos ferimentos, o bandido ferido deveria ser transferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro, ou Getúlio Vargas, na Penha. Os bandidos discordaram dizendo preferir levá-lo para um lugar deles. Sob ameaça, obrigaram o motorista da ambulância trocar as roupas com um deles, que assumiu a direção partindo com o carro que era escoltando por outro veículo do bando. O médico e o motorista só foram liberados cerca de seis horas depois.
Inicialmente, os investigadores desconfiaram que Thiago da Silva Folly, o TH, então chefe da Maré (morto em maio deste ano), seria o criminoso resgatado. Mas depois foi constatado que o bandido era Renan Henrique Barbosa Campos, o RN, preso pela Polícia Federal em 2022, quando passava por uma cirurgia em um hospital da Ilha do Governador.
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UPA invadida por traficante para médica atender criminoso baleado
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Em outubro de 2018, foi a vez da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Costa Barros ser invadida por um traficante, que insistia em levar uma médica para atender a um criminoso baleado.
— Foi um dos piores momentos que nós já vivemos na UPA. O bandido chegou por volta das 10h30m, exigindo que a médica fosse atender um comparsa ferido na favela. Ela conseguiu “desenrolar” (negociar) com o criminoso e não foi. O traficante saiu. Logo depois, todos os médicos de plantão abandonaram a unidade — disse uma funcionária na ocasião.
Localizada entre os morros da Pedreira e do Chapadão, a UPA foi fechada temporariamente naquela semana.
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Traficantes invadem clínica da família, em retaliação
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Neste ano, em março, a Clínica da Família Bibi Vogel, na Avenida Adhemar Bebiano, no Engenho da Rainha, que atende os complexos do Alemão e da Penha, foi invadida por traficantes. O episódio ocorreu um dia após um médico do programa Mais Médicos ter interferido na discussão entre uma paciente e uma enfermeira.
— O médico entrou na frente da paciente que estava partindo para cima da enfermeira. A paciente tomou um soco no braço. Aí, a mulher saiu da sala dizendo que o médico bateu nela. E o marido dela é da boca — contou uma profissional de saúde na ocasião.
Integrantes da boca de fumo então teriam invadido a clínica “para matar” o médico, que teria ido embora após a confusão. Por isso, a solução dos suspeitos foi destruir a unidade de saúde. O horário de atendimento precisou ser reduzido na ocasião, por conta da “violência territorial”, conforme comunicado divulgado à época.
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Bandidos proíbem obras para construir nova clínica
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O caso mais recente de interferência de criminosos em unidades de saúde é do início deste mês, numa clínica da família no Vidigal, Zona Sul do Rio, ainda em obras. Na ocasião, operários que trabalhavam na construção de uma nova unidade municipal de saúde, antiga demanda dos moradores, foram expulsos por traficantes, em meio a avisos de que “o prédio pertence ao tráfico”.
Há dois anos, quando o Vidigal figurava entre os destinos turísticos mais cobiçados da cidade, o prédio na Rua Doutor Olinto Magalhães, agora reservado para uma futura Clínica da Família, teve sua construção embargada pelo poder municipal: era uma obra irregular, bancada pelo crime organizado, e já estava com dez andares. Em 2025, após liberação dos órgãos técnicos, a prefeitura iniciou obras para dar novo uso à edificação.
A reforma, avaliada em R$ 6 milhões, começou pela demolição da metade dos pavimentos, já que as configurações urbanísticas da área só permitem prédios de até cinco andares. O espaço restante será destinado à unidade de saúde, que deve dispor de seis equipes de Saúde da Família, oito consultórios, sala de acompanhamento ambulatorial, medicação e um espaço para a realização de ressonância magnética. A previsão, antes do episódio, era de que os trabalhos fossem concluídos até o ano que vem. A obra foi retomada no dia seguinte.