Um homem de 34 anos descobriu, dias depois de passar por uma cirurgia cerebral de mais de 16 horas, que os médicos haviam derrubado no chão um pedaço de seu próprio crânio. O britânico Tom Park-Paul precisou do procedimento em 2017, após sofrer uma hemorragia cerebral provocada pelo rompimento de uma malformação arteriovenosa (MAV).
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O caso foi relatado pelo próprio Park-Paul à repórter Amy Swales em texto publicado pelo The Guardian nesta sexta-feira. Durante a cirurgia, três neurocirurgiões retiraram parte do crânio para acessar o cérebro e tratar a malformação. No fim do procedimento, o fragmento caiu no chão.
O acidente levantou preocupação com uma possível infecção. Segundo Park-Paul, os médicos chegaram a considerar a impressão de uma peça de reposição em 3D, que seria colocada posteriormente. A equipe, porém, optou por limpar o fragmento e administrar antibióticos adicionais antes de recolocá-lo.
— Há algo que precisamos declarar. Sentimos muito, mas derrubamos o crânio dele — disseram os médicos a Luke, companheiro de Park-Paul, após a cirurgia.
Park-Paul só soube do incidente dias depois, quando começou a despertar do coma induzido. Na época, estava sob efeito de diversos medicamentos, tinha alucinações e chorava com facilidade. Anos depois, encara o episódio com humor.
— Ainda acho hilário que meu crânio tenha ficado no chão. Gosto de imaginar que eles o pegaram, tiraram a poeira e disseram: “Regra dos cinco segundos!” — contou.
Mal-estar na academia
A cirurgia aconteceu depois de Park-Paul sofrer um episódio súbito enquanto fazia exercícios em uma academia de Londres. Ele sentiu um “estalo” no corpo e perdeu a força da perna esquerda. Inicialmente, médicos suspeitaram de uma lesão na coluna e deram alta ao paciente.
Dias depois, seu companheiro, que trabalhava como enfermeiro de terapia intensiva, insistiu em uma nova investigação. Uma tomografia revelou uma grande hemorragia cerebral. Os exames identificaram uma MAV — um emaranhado anormal de vasos sanguíneos — próxima à região responsável pelo controle dos movimentos dos membros.
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A lesão era classificada como grau 4 de 6 na escala de Spetzler-Martin, que mede a complexidade das MAVs. Apesar do alto risco do procedimento, o neurocirurgião decidiu operar devido à idade do paciente e ao risco de uma nova hemorragia.
A operação retirou cerca de 100 metros de vasos sanguíneos e durou mais de 16 horas. A recuperação foi longa: Park-Paul precisou reaprender a andar e ficou com perda de propriocepção no pé esquerdo, o que o impede de dirigir carros com câmbio manual.
Segundo o relato publicado pelo jornal britânico, os médicos descobriram durante a cirurgia que a MAV era maior e mais complexa do que os exames iniciais indicavam. O caso passou posteriormente a ser usado pelo neurocirurgião como exemplo de que MAVs grandes podem ser removidas com sucesso.
Semanas após a operação, Park-Paul e Luke ficaram noivos. Os dois se casaram em 2021.
Homem conta que médicos deixaram parte do seu crânio cair no chão durante cirurgia cerebral de 16 horas
