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outubro 24, 2026
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Hospital Miguel Couto, uma das maiores emergências do Rio, completa 90 anos

Por · outubro 24, 2026
Hospital Miguel Couto, uma das maiores emergências do Rio, completa 90 anos


Sete mil cirurgias, 100 mil atendimentos ambulatoriais e de urgência/emergência e 110 mil exames por ano. Os números do Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul do Rio, são gigantes. Neste domingo, a lista ganha mais um: 90 anos. Inaugurada em 1936, a unidade tem uma das maiores emergências da cidade, sendo referência nacional em ortopedia com o histórico Serviço de Ortopedia e Traumatologia Professor Nova Monteiro, que há 75 anos forma residentes e especialistas.
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Foram muitas mudanças em nove décadas, na estrutura do hospital e na tecnologia empregada no atendimento aos pacientes. Recentemente, o Miguel Couto precisou se adaptar a uma nova realidade: o aumento nos atendimentos relacionados a acidentes automobilísticos envolvendo motocicletas. A unidade tem um grande volume de vítimas por traumas mais diversos, além de baleados, e, por estar localizada próxima a um heliponto, recebe politraumatizados de outras regiões da cidade.
— O Miguel Couto é um dos principais hospitais da rede municipal, referência para atendimentos de trauma, de ortopedia, de neurocirurgia e de cirurgia vascular. Uma unidade que mantém vivo o legado de um dos médicos mais importantes da história da Ortopedia no Brasil, o professor Nova Monteiro — diz o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado.
Construção do Hospital Miguel Couto, na década de 1930
Divulgação/Secretaria Municipal de Saúde
— Somos uma referência da Ortopedia em todo o país, recebendo anualmente ortopedistas do mundo inteiro para realizar estágio e por onde já passaram centenas dos mais importantes especialistas do nosso país — explica o diretor do Miguel Couto, Cristiano Chame.
De residente a diretor
Chame começou no hospital no início dos anos 2000, como acadêmico de Medicina e residente no Serviço de Ortopedia e Traumatologia. Se tornou servidor da Prefeitura do Rio como ortopedista lotado no Miguel Couto em 2009. Um ano depois, assumiu a chefia do Centro Cirúrgico e, em 2015, passou a ser diretor:
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— Desde pequeno, o meu desejo sempre foi ser médico. Sempre tive o desejo de me tornar ortopedista e poder seguir os passos do meu pai, que também foi residente de Ortopedia no Hospital Miguel Couto. Saber que desses 90 anos de hospital, dez anos esteve sob minha gestão, me deixa orgulhoso e emocionado.
Cristiano Chame, diretor do Miguel Couto, foi residente no hospital: “Desde pequeno, o meu desejo sempre foi ser médico”
Edu Kapps/Secretaria Municipal de Saúde
O diretor relembra uma mudança marcante que aconteceu ao lado do hospital em 2012: a inauguração do CER Leblon (Coordenação de Emergência Regional), que otimizou o fluxo de atendimento ao concentrar casos clínicos e de menor complexidade, deixando os casos de trauma e de maior gravidade para o Miguel Couto.
— Em 2015, nós transformamos o setor de Trauma para facilitar a chegada do politraumatizado que vem pela ambulância. Juntamos todo o serviço de imagem em um só setor para melhorar o deslocamento dos casos de emergência. Em 2024, fizemos a maior reforma estrutural nos ambulatórios, com dois novos de Neurologia e Cardiologia — diz o diretor.
34 anos no hospital
A pedagoga Vania Pontes: “O hospital me ensinou que cuidar também é uma forma de cidadania”
Edu Kapps/Secretaria Municipal de Saúde
Em 1992, a pedagoga Vania Portes chegou ao Miguel Couto para integrar o Serviço de Documentação Médica, área responsável pela organização e guarda dos prontuários dos pacientes. Naquela época, ela preenchia a mão os documentos de autorização de internação hospitalar, que identificavam o paciente e registravam informações importantes. Em 1996, que a sua história ganhou um novo significado com o convite para trabalhar junto à direção da unidade, onde permanece exercendo sua função até hoje, sendo chefe de gabinete:
— É preciso enxergar a pessoa, sua história, seus medos, suas angústias e, muitas vezes, seus sofrimentos e a falta de esperança. Só quem vivencia a dor, o medo e a fragilidade de estar na condição de paciente consegue dimensionar verdadeiramente o que aquele momento representa. É necessário ouvir, acolher e respeitar. O hospital me ensinou que cuidar também é uma forma de cidadania — diz ela. — Ao longo dos anos, fui entendendo que pertencer a um lugar vai muito além de estar presente. Quando ouço que eu tenho a cara do Hospital Miguel Couto, penso que talvez seja porque, ao longo dessa caminhada, o hospital também passou a fazer parte de quem eu sou.

Hospital Miguel Couto, uma das maiores emergências do Rio, completa 90 anos