Única unidade hospitalar universitária do estado, o Hospital Pedro Ernesto (Hupe), localizado em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, vai ampliar a oferta de atendimento de alta complexidade. A previsão é de que, no próximo dia 25, sejam inauguradas duas novas alas, que deverão começar a funcionar até o início de setembro: uma voltada para o tratamento de câncer e outra para a nefrologia, área que trata de doenças que afetam os rins e o sistema urinário. Nesta última, denominada Núcleo de Assistência, Treinamento e Pesquisa de Nefrologia e Transplantes (Nant), serão atendidos pacientes adultos e crianças com doenças renais.
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A estimativa é de que, com a inauguração do Nant, seja possível triplicar o número de transplantes renais feitos no Hupe, passando de 50 para 150 por ano. Também haverá, entre outras coisas, atendimento ambulatorial e serviço de hemodiálise. Já na área oncológica, o hospital terá à disposição mais um andar para abrigar novos serviços oferecidos pelo Centro Universitário de Controle do Câncer (CUCC). Entre eles, a realização de exames de imagem de alta resolução para localizar o câncer e avaliar sua extensão por meio do mapeamento da anatomia do corpo.
As reformas, somadas à compra de equipamentos para o funcionamento das duas alas, tiveram custo estimado em R$ 50 milhões. O dinheiro para a realização das obras saiu dos cofres da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj). Os pacientes que receberão atendimento nas duas novas alas serão encaminhados para o Pedro Ernesto pelo sistema de regulação vinculado às secretarias municipal e estadual de saúde.
Segundo a SES, o governo estadual vai apresentar ao BNDES um pedido de financiamento para um projeto de expansão do Hupe, que incluiria a construção de um prédio onde funciona atualmente uma área de estacionamento. Uma vez concluída, a unidade serviria para ampliar a capacidade de realização de cirurgias, internações e atendimento ambulatorial.
José Suassuna, coordenador do serviço de nefrologia do Hupe: “O paciente vai encontrar aqui cuidados em todo o ciclo da doença renal”
Divulgação/Rodrigo Gorosito/Hupe
— O Hupe é o único hospital universitário da rede estadual e realiza produção científica e assistencial, desde atendimento ambulatorial até cirurgias de alto risco e transplantes de órgãos. Mas já não está cabendo na infraestrutura atual e necessita de expansão. Atualmente, temos 500 leitos, mas pretendemos dobrar essa capacidade com a construção de um prédio anexo. Assim, reduziremos o tempo de espera por atendimento. Já temos o projeto e estamos buscando apoio do BNDES — disse o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, que é professor titular da área de Urologia e dirigiu o Hupe entre 2020 e 2023, período que englobou a pandemia de Covid-19.
Um dos projetos que já foram concluídos, o Nant conta com uma estrutura de cinco andares para abrigar setores de internação, enfermaria, isolamento, farmácia e centros de diálise pediátrica e de adultos. Os dois últimos são equipados com máquinas para a realização de hemodiálises e televisores para os pacientes. Ao todo, serão 34 poltronas para a realização de hemodiafiltração, um método mais avançado para a retirada de impurezas do sangue. A estimativa é passar de 60 para 240 o número de pessoas atendidas por mês que necessitam realizar o tratamento.
— O paciente vai encontrar aqui cuidados em todo o ciclo da doença renal, desde o momento em que há suspeita de uma doença renal e é preciso fazer um diagnóstico — disse José Suassuna, coordenador do serviço de nefrologia do Hupe e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj.
Facha do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio
Reprodução Redes Sociais
Quem já está em tratamento no hospital aguarda ansioso pelo funcionamento da nova ala. É o caso de Dávila Melo Amorim, de 21 anos, que, desde os 14, faz diálise.
— Sempre fui paciente aqui na unidade. Por causa de algumas comorbidades, para mim é mais seguro fazer o tratamento aqui, mesmo com outras clínicas disponíveis. A inauguração desse novo espaço é algo que esperamos há bastante tempo. Durante a pandemia, o número de pacientes aumentou, e o salão, que tem apenas oito máquinas, não conseguia atender a toda a demanda. Com um espaço maior, mais máquinas e profissionais, acredito que muitos pacientes poderão ser atendidos com mais conforto e agilidade — disse.
Outro projeto previsto para entrar em funcionamento após o dia 25 é a nova ala do CUCC. No novo andar do Centro Universitário de Controle do Câncer, a unidade terá equipamentos de alta tecnologia dedicados à medicina nuclear e à quimioterapia. Entre eles está um PET-Scan, primeiro equipamento da rede estadual capaz de realizar exames de imagem de alta resolução para localizar o câncer e avaliar sua extensão por meio do mapeamento da anatomia do corpo. Há ainda a aquisição de um aparelho usado em exames de cintilografia de corpo inteiro para avaliar o funcionamento de órgãos.
— A novidade agora é que nós vamos abrir o segundo andar. Neste segundo andar, existem dois setores: medicina nuclear e quimioterapia. Na medicina nuclear, vão ser oferecidos exames de PET-CT (PET-Scan). Ele, ao mesmo tempo em que faz uma captação, tomografa o corpo inteiro. E aí funde as imagens, e nós vamos ter um mapeamento geral da presença, por exemplo, de tumores, falando de uma forma mais simplificada — explicou o professor Rodolfo Acatauassú, médico e coordenador científico de controle do câncer do Hupe.

