Os Houthis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, voltaram a denunciar ataques da Arábia Saudita contra partes do território iemenita sob controle da organização, citando mais de 40 bombardeios em diversas regiões apenas nesta quarta-feira. A escalada acontece um dia após o grupo ter lançado seus drones e mísseis contra o território saudita, incluindo alvos ligados ao setor do petróleo, em uma ação que deixou 73 feridos. A retomada do conflito de alta intensidade envolvendo Sanaa e Riad impactou o mercado internacional de petróleo, que também sofreu com o efeito do acirramento da disputa militar entre Irã e EUA no Estreito de Ormuz, forçando o preço do barril de petróleo para um patamar acima dos US$ 100 (cerca de R$ 509 no câmbio atual) pela primeira vez desde julho. O Paquistão ameaçou ativar o pacto de defesa coletiva com os sauditas, caso as hostilidades houthis prossigam.
Crise regional: Irã bombardeia base na Jordânia e navios no Golfo, em sinal de prontidão para confrontar EUA e manter controle de Ormuz
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Autoridades em Riad haviam prometido retaliar a ofensiva aérea lançada pelos Houthis ainda na terça-feira, com fontes do grupo rebelde confirmando uma primeira onda de ataques horas após o anúncio. A rede Almasirah TV, vinculada aos Houthis, noticiou nesta quarta-feira que ataques aéreos sauditas atingiram “várias áreas” nas províncias de Marib, al-Jawf, Taiz e Hodeida “nas últimas horas”. Não houve comentário oficial da Arábia Saudita.
A troca de ataques diretos entre os rebeldes iemenitas apoiados pelo Irã e o próspero reino do Golfo é a escalada mais importante da Guerra Civil do Iêmen desde 2022, quando um cessar-fogo havia sido assinado. Além da troca de ataques — que provocou interrupções temporárias no setor de petróleo de um dos maiores produtores de hidrocarbonetos do mundo —, a região também viu um agravamento dos combates em terra, entre as forças Houthis e do governo apoiado por Riad, com mais de 500 mortes registradas no enfrentamento, segundo um levantamento da AFP que inclui vítimas civis.
Os confrontos por terra se concentram nas províncias do sudoeste do Iêmen, em uma disputa pelo controle das faixas de terra mais próximas do Estreito de Bab el-Mandeb — passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, que conecta o tráfego naval entre a Ásia e o Canal de Suez. Representantes houthis já afirmaram publicamente que o grupo pretende controlar o estreito, assim como o Irã faz com Ormuz. A medida teria consequências severas para o mercado internacional de petróleo, uma vez que a Arábia Saudita redirecionou boa parte de sua produção para escoamento via portos no oeste do país.
Houthis e Arábia Saudita trocam ataques aéreos
Arte/O GLOBO
Embora Houthis e sauditas tenham se enfrentado diversas vezes ao longo da última década em razão do apoio de Riad ao governo oficial iemenita, o atual cenário é mais complexo que o anterior, e tem o potencial de atrair potências militares para a região.
O Ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou em uma entrevista nesta quarta-feira que qualquer ataque à Arábia Saudita poderia ativar a recém-assinada Aliança de Defesa de Meca, pacto de defesa coletiva que inclui, além da monarquia do golfo e da potência nuclear a Turquia, uma das maiores forças terrestres da Otan.
— Estamos vinculados aos termos e condições deste pacto e, se Deus quiser, honraremos esse compromisso caso ocorra uma agressão. Não deve haver ambiguidade quanto a isso — disse Asif em entrevista à Geo News, acrescentando que os Houthis não deveriam arrastar Riad ainda mais para o conflito.
Para lembrar: Ataques Houthis contra alvos do setor de petróleo da Arábia Saudita deixam 73 feridos
Os confrontos em andamento ameaçam levar o Iêmen de volta a um conflito que deixou centenas de milhares de mortos e desencadeou uma das piores crises humanitárias do mundo. Os Houthis, depois de tomarem a capital do Iêmen e expulsarem o governo, combateram uma coalizão liderada pela Arábia Saudita de 2015 até o cessar-fogo mediado pelas Nações Unidas em 2022 — que foi rompido em julho deste ano.
A União Europeia pediu aos Houthis na terça-feira que encerrem seus ataques, classificando-os como uma “escalada perigosa”.
— Pedimos aos houthis que encerrem imediatamente todos os ataques dentro e fora do Iêmen, incluindo os ataques contra navios comerciais no Mar Vermelho — disse Anouar El Anouni, porta-voz do serviço diplomático do bloco. (Com AFP e Bloomberg)
Houthis denunciam 40 bombardeios da Arábia Saudita contra o Iêmen; aliado de Riad ameaça ativar acordo de defesa coletiva
Os Houthis, grupo rebelde do Iêmen apoiado pelo Irã, voltaram a denunciar ataques da Arábia Saudita contra partes do território iemenita sob controle da organização, citando mais de 40 bombardeios em diversas regiões apenas nesta quarta-feira. A escalada acontece um dia após o grupo ter lançado seus drones e mísseis contra o território saudita, incluindo […]