O fundador da revista Playboy, Hugh Hefner (1926-2017), denunciou em 2005 o milionário financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein mais de uma vez ao FBI, a polícia federal americana, por abuso sexual de uma das coelhinhas da publicação. A informação é de documentos judiciais obtidos jornal The New York Post.
Audra Lynn Christiansen, a coelhinha Miss Outubro de 2003, teria revelado a Hefner que foi estuprada e traficada por Epstein, segundo um processo movido por 32 vítimas do criminoso.
Então com 23 anos e vivendo na mansão da Playboy em Beverly Hills, Audra teria pedido a Hefner que fizesse a denúncia por ela, já que acreditava que ele teria as conexões com autoridades e influência necessárias para que o caso fosse levado a sério.
“Sr. Hefner ligou para o FBI diversas vezes em nome da srta. Christiansen para denunciar Jeffrey Epstein”, afirmaria o documento citado pelo Post. Além de alegações de estupro, a jovem teria contado a Hugh Hefner que foi traficada para um dos amigos ricos do empresário – o bilionário dono de cassinos de Macau, Stanley Ho, tido como o “poderoso chefão das apostas”. Ho morreu em 2020.
Príncipe Andrew e o magnata Jeffrey Epstein
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Epstein foi acusado em múltiplas denúncias à Justiça dos EUA e do Reino Unido de abuso e tráfico sexual. Ele teria sido o responsável, de acordo com Virginia Giuffre (1983-2025), de tê-la traficado para o ex-príncipe Andrew. Epstein e Giuffre teriam se conhecido em Mar-a-Lago, a propriedade de Donald Trump onde ela e seu pai trabalharam – apenas um dos muitos contatos influentes do financista.
As novas revelações do caso Epstein são parte de uma petição inicial emendada que foi levada à corte distrital do Sul da Flórida em maio, em processo movido por vítimas do milionário que acusam o FBI de ter falhado em tomar providências em múltiplas denúncias de abuso sexual de Epstein, a primeira de 1996.
— O fato de que o FBI está tentando utilizar detalhes técnicos de procedimento para tentar evitar ter que prestar contas e assumir responsabilidade por suas falhas em investigar apropriadamente Jeffrey Epstein por mais de 20 anos deveria ser profundamente preocupante para todos. Como você pode aprender de seus erros se você não os reconhece? — questionou ao jornal Jordan Merson, advogado das vítimas.
Hoje com 46 anos, Audra Christiansen só recebeu um contato do FBI a respeito de sua denúncia em outubro de 2020, 15 anos depois das ligações de Hefner e um ano após a morte de Epstein, segundo dados do processo.
Jeffrey Epstein foi condenado a 18 meses de prisão na Flórida por solicitação de prostituição de uma menor em 2008, mas acabou libertado após 13 meses da pena. Em julho de 2019, ele foi preso durante uma investigação federal por acusação de tráfico sexual e conspiração para tráfico sexual de menores. Um mês depois, ele morreu na prisão – a causa foi suicídio.

