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Humor ou chacota? De ‘Alcatraz dos Jacarés’ a ‘Cadeia do Descascador de Milho’, nomes de centros de detenção causam polêmica nos EUA

BRCOM by BRCOM
agosto 27, 2025
in News
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O presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Tudo começou na Flórida com o “Alcatraz dos Jacarés”. Depois, vieram notícias sobre o “Presídio da Pista de Corrida” em Indiana. Mais recentemente, a administração Trump anunciou planos para mais um centro de detenção de imigração, desta vez em Nebraska, que será chamado de “Cadeia do Cornhusker” — em tradução livre para o português, “Cadeia do Descascador de Milho”, em referência ao apelido da região.

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A aliteração, emprestada da ciência da venda, cai no gosto de alguns americanos tão facilmente quanto um donut da Krispy Kreme, para quem tudo é apenas diversão. Memes foram criados. Camisetas foram promovidas. O presidente brincou que os detentos na Flórida deveriam aprender a melhor forma de fugir de um jacaré, caso acontecesse uma fuga do centro que abriu no mês passado nos Everglades.

— Tem um certo charme — disse Ron Buschelman, de 66 anos, sobre o nome “Cadeia do Cornhusker”, enquanto estava na segunda-feira em frente a uma loja de suprimentos agrícolas nos arredores de Omaha, Nebraska. Referindo-se ao presidente Donald Trump, acrescentou: — Ele tem um senso de humor muito bom. E não há nada de errado com isso. É uma cadeia. É. E nós somos o Estado Cornhusker. Eu gostei.

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  • ‘Não é motivo para brincar’
  • ‘Isso não é boa liderança’
      • Humor ou chacota? De ‘Alcatraz dos Jacarés’ a ‘Cadeia do Descascador de Milho’, nomes de centros de detenção causam polêmica nos EUA

‘Não é motivo para brincar’

Para outras pessoas, no entanto, havia algo repugnante em um governo que brinca com um programa de deportação em massa em expansão, que enviou imigrantes para países de onde não são originários, separou pais de seus filhos e usou agentes mascarados em carros não identificados para prender pessoas nas ruas.

— Não é motivo para brincar — disse Roxana Cortes-Mills, diretora jurídica do Centro para Avanço de Imigrantes e Refugiados, um grupo sem fins lucrativos em Omaha.

Ainda assim, provocar indignação parece ser o objetivo, pelo menos em parte, nesta nova era de governo troll. É uma estratégia que a administração está adotando no segundo mandato de Trump — uma tática que sua equipe gosta particularmente de usar no campo da fiscalização da imigração.

Os nomes dados aos centros de detenção são apenas uma parte disso.

As contas oficiais da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna (DHS) no X usam intensamente esse novo estilo — uma irreverência sincronizada com as correntes irônicas e rápidas da internet, sem preocupação com impropriedade.

O presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

Em fevereiro, a Casa Branca publicou um vídeo de imigrantes embarcando em um voo de deportação, com suas algemas tilintando, e o rotulou como ASMR, um tipo de vídeo popular online por produzir sons agradáveis. Diversas outras postagens zombeteiras se seguiram.

Algumas postagens da administração chegaram a territórios ligados ao nacionalismo branco. No início deste mês, o DHS publicou um apelo de recrutamento do ICE perguntando “Which Way, American Man?” (“Qual Caminho, Homem Americano?”). Vários observadores interpretaram como referência ao livro de 1978 “Which Way, Western Man?”, escrito pelo supremacista branco William Gayley Simpson.

Em um comunicado subsequente, oficiais do DHS acusaram veículos de imprensa de não noticiar sobre vítimas de imigrantes sem status legal que cometem crimes violentos e de alegar que as postagens do departamento nas redes sociais “apelavam para a ‘identidade branca’” online.

Perguntada na semana passada sobre a postagem, Tricia McLaughlin, porta-voz do DHS, respondeu: “Onde estamos citando um supremacista branco?”

No mesmo comunicado, o DHS afirmou que seu “alcance nas redes sociais” explodiu nos últimos seis meses, “de 3,5 milhões de impressões semanais em fevereiro para 46,1 milhões em julho de 2025.” O crescimento foi resultado, disseram os oficiais, da “capacidade aprimorada do departamento de comunicar informações críticas ao público americano de forma eficaz.”

As instalações de detenção com nomes irreverentes são todas parcerias entre estados e governo federal, parte de um esforço para expandir a capacidade de detenção no país enquanto a administração Trump busca atingir a meta de 1 milhão de deportações por ano.

James Uthmeier, procurador-geral da Flórida, foi o primeiro a falar publicamente sobre o “Alcatraz dos Jacarés”, anunciando em vídeo online, em junho, que ele seria construído em uma antiga pista de pouso no meio dos Everglades.

Detentos da instalação reclamaram que as luzes permanecem acesas durante toda a noite e que as tendas que os abrigam vazam durante as frequentes tempestades da região. Na semana passada, um juiz federal ordenou que grande parte da instalação fosse desmantelada e que nenhum detento fosse mais enviado para lá.

O estado da Flórida está recorrendo da decisão, e o governador Ron DeSantis, republicano, afirmou que em breve abrirá um segundo centro de detenção, chamado “Depósito de Deportação”, em uma prisão vazia a oeste de Jacksonville.

Douglas Brinkley, historiador presidencial, disse que a marcação dos centros de detenção refletia a habilidade de Trump de colocar apelidos chamativos ou descrições em adversários políticos e em legislações como o “One Big Beautiful Bill”, o plano de impostos e gastos que ele sancionou no mês passado. Entre muitas outras coisas, essa lei prevê financiamento para 80 mil novas vagas de detenção para imigrantes.

— É mais populista — disse Brinkley sobre a tática de Trump: — É algo que as pessoas vão ler e lembrar, enquanto uma linguagem legal complexa ou uma explicação extensa se perde em uma cultura com tanto conteúdo.

Brinkley viu alguns precedentes soltos na política americana. Durante a administração do presidente Herbert Hoover, republicano, os democratas popularizaram o rótulo “Hooverville” tanto para descrever acampamentos de sem-teto da era da Grande Depressão quanto para culpar Hoover, que acabou sendo um presidente de apenas um mandato.

Rick Perlstein, historiador progressista do conservadorismo americano, disse que os nomes brincalhões lembravam a linguagem usada para difamar adversários em guerra.

— É claramente destinado a humilhar e desumanizar as pessoas que são enviadas para esses lugares — afirmou.

‘Isso não é boa liderança’

Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, disse em declaração por e-mail que “destacar os criminosos perigosos ilegais que a administração Trump está deportando não é desumanizante”, acrescentando: “Não vamos pedir desculpas por deportar estrangeiros ilegais ou por compartilhar nossos esforços bem-sucedidos com o povo americano.”

Em Omaha, na segunda-feira, Alberto Lopez, de 62 anos, cujos pais se mudaram de Porto Rico para os Estados Unidos continentais, se incomodou com os nomes “Alcatraz dos Jacarés” e “Cadeia do Cornhusker”.

— Isso não é boa liderança — disse ele: — Se você vai ser um bom líder, precisa conhecer seus limites e saber como falar com as pessoas.

A instalação em Nebraska, uma parceria entre o DHS e o estado, deve abrigar até 280 detentos em McCook, uma pequena cidade entre Omaha e Denver. Ao anunciar a parceria na semana passada, o DHS publicou uma ilustração no X de espigas de milho usando bonés do ICE. Kristi Noem, secretária do DHS, escreveu que a instalação “ajudará a remover os piores dos piores do nosso país.”

O nome gerou imediatamente polêmica.

Roger Garcia, democrata e presidente do Conselho de Comissários do Condado de Douglas, Nebraska, escreveu no Facebook que “Cadeia do Cornhusker” havia sido criado como “algo para rir, assim como ‘Alcatraz dos Jacarés’.” Ele continuou: “Mas ai de vocês que riem agora e daqueles que usam seu poder para prejudicar em vez de nutrir harmonia e compaixão em nossa sociedade.”

A senadora Megan Hunt, progressista na legislatura não partidária do estado, pediu à Universidade de Nebraska, cujos times esportivos são conhecidos como Cornhuskers, que faça valer seus direitos de marca registrada.

— Usar ‘Cornhusker’ para batizar um campo de detenção do ICE é uma vergonha — escreveu ela.

Beth Zacharias, de 63 anos, moradora de Omaha que saía de uma loja Walmart na segunda-feira à tarde, expressou sentimentos semelhantes. Ela disse que abrir um centro de detenção no estado era uma boa ideia e que imigrantes não deveriam entrar ou permanecer ilegalmente no país. Mas, ao ser questionada sobre o nome “Cadeia do Cornhusker”, franziu o nariz.

— Para mim, soa cruel — disse: — Quero que todos sintam que são pessoas, sabe? Talvez tenham quebrado a lei e precisem corrigir, mas, sabe, não deveriam ser motivo de risada por isso.

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