A inteligência artificial já entrou na rotina de casais que estão organizando o casamento, seja para montar cronogramas, distribuir tarefas ou tomar decisões práticas. Quando chega a hora de escrever os votos, porém, a relação com a tecnologia parece mudar. Uma pesquisa realizada em 2026 pela plataforma americana Zola, com mais de 11,5 mil casais, mostrou que 54% recorrem à ferramenta de alguma forma durante os preparativos, enquanto 63% consideram que ela não deveria ser usada para escrever as declarações da cerimônia.
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Para João Paulo Batistella, executivo de inovação e especialista em transformação organizacional, a tecnologia pode ajudar nessa etapa sem assumir o papel de quem declara os sentimentos.
“A IA pode organizar o que a pessoa já sente, ajudar a dar ordem às lembranças e até destravar quem não sabe por onde começar. O problema é quando ela passa a inventar aquilo que deveria vir da história do casal”, afirma.
Os dados da Zola ajudam a explicar essa diferença. Embora o uso de inteligência artificial tenha avançado no planejamento dos casamentos em 2026, os noivos ainda demonstram preferência por manter humanas as partes mais emocionais da cerimônia. Há, portanto, maior abertura para recorrer à tecnologia em questões como orçamento, cronograma e organização do que para deixar nas mãos de uma ferramenta as palavras que serão ditas diante do parceiro.
Nesse cenário, a inteligência artificial pode atuar mais como uma espécie de editora do que como autora. Em vez de solicitar um texto pronto, o casal pode reunir lembranças reais — do primeiro encontro a uma viagem marcante, passando por uma fase difícil enfrentada juntos, uma mania do parceiro ou uma promessa específica — e usar a ferramenta para organizar as ideias, eliminar repetições, ajustar o tamanho ou encontrar uma sequência mais natural.
Batistella aponta um teste simples para identificar quando a declaração perdeu a personalidade. “Se você tira os nomes e aquele voto ainda poderia ser dito por qualquer casal, falta história ali. A IA pode melhorar a forma, mas precisa continuar sendo possível reconhecer quem está falando”, conclui.

