Novas imagens de satélite mostram obras em andamento na usina de enriquecimento nuclear de Fordow, no Irã, que foi atingida pelos poderosos bombardeiros B-2, dos Estados Unidos, no dia 21 de junho. As fotos, publicadas no último domingo, foram coletadas pela Maxar Technologies, que afirmou que elas “revelam atividade contínua nos dutos e buracos de ventilação e suas proximidades, causados pelos ataques aéreos”.
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Nas imagens, segundo a Maxar Technologies, é possível ver “uma escavadeira e vários funcionários posicionados imediatamente ao lado do poço norte, na crista acima do complexo subterrâneo”. Ainda de acordo com a Maxar, vários outros veículos também são vistos abaixo do cume e estão estacionados ao longo do caminho que foi construído para acessar o local.
Na noite daquele dia 21, bombardeiros americanos B-2 lançaram mais de uma dúzia de bombas nas instalações nucleares de Fordow e Natanz, no Irã, enquanto mísseis Tomahawk lançados de um submarino americano atingiram a instalação de Isfahã, no centro do país.
As bombas Massive Ordnance Penetrator (MOP) dos EUA atingiram os dois poços de ventilação em Fordow, de acordo com o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine. Ele disse que a maioria das bombas lançadas em Fordow “tinham a tarefa de entrar no poço principal, descer para o complexo a mais de mil pés por segundo e explodir no espaço da missão”.
O ex-inspetor nuclear David Albright, que agora lidera o Instituto de Ciência e Segurança Internacional, disse que as imagens de Fordow mostraram que “os iranianos estão trabalhando ativamente nos dois locais de impacto do MOP, penetrando nos poços de ventilação da usina”.
Albright avaliou que a atividade “pode incluir o preenchimento das crateras, bem como a realização de avaliações de danos de engenharia e possível coleta de amostras radiológicas”. “As crateras acima dos poços principais permanecem abertas”, escreveu Albright no X.
“Observamos que os iranianos também repararam rapidamente os danos causados pelas crateras das bombas na estrada de entrada principal, ocorridos apenas alguns dias antes. No entanto, ainda não há indícios de qualquer esforço para reabrir qualquer uma das entradas do túnel”, acrescentou.
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No último domingo, o chefe do órgão de vigilância nuclear da ONU disse que os ataques dos EUA ao Irã não chegaram a causar danos totais ao seu programa nuclear e que Teerã poderia reiniciar o enriquecimento de urânio “em questão de meses”, contradizendo as alegações do presidente americano, Donald Trump, de que os EUA atrasaram as ambições de Teerã em décadas.
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Os comentários do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, parecem apoiar uma avaliação inicial da Agência de Inteligência de Defesa do Pentágono, relatada pela primeira vez pela rede americana CNN, que sugere que os ataques dos Estados Unidos às principais instalações nucleares iranianas não destruíram os principais componentes de seu programa nuclear e provavelmente apenas o atrasaram em meses.
Embora a avaliação militar e de inteligência final ainda não tenha sido feita, Trump tem insistido que “destruiu completamente” o programa nuclear de Teerã. O presidente, no entanto, ainda afirmou que consideraria “absolutamente” bombardear o Irã novamente se a inteligência descobrisse que o país poderia enriquecer urânio a níveis preocupantes.