A importação de produtos de pequeno valor dispararam após o fim da chamada “taxa das blusinhas”, que estabelecia cobrança de 20% para produtos importados de até US$ 50. Segundo a Receita Federal, em maio e abril houve uma alta de 50% e 43%, respectivamente, em relação ao ano passado.
O fim da taxa das blusinhas foi implementado pelo governo via medida provisória, publicada em 12 de maio. No dia seguinte o imposto de 20% deixou de ser cobrado. No mês, os dados da Receita indicam que 19,6 milhões de produtos que se enquadrariam na taxação foram recebidos no país, contra 13 milhões em maio de 2025.
Em abril, com o mês inteiro com a taxa zerada, a Receita registrou a entrada de 15,7 milhões de remessas internacionais até US$ 50. No ano passado foram 10,9 milhões.
A MP também beneficiou compras entre US$ 50 e US$ 3.0000, já que houve uma dedução de US$ 30, que antes era de US$ 20. Com isso, remessas entre US$ 50 e US$ 100 foram beneficiadas.
De acordo com dados da Receita Federal, nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação com as encomendas. Foi uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado. Ou seja, mesmo antes do fim da taxa as compras já vinham em alta.
O debate sobre o assunto voltou diante do anseio do Palácio do Planalto de ampliar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente à maior competitividade da candidatura de Flavio Bolsonaro (PL) nas pesquisas.
O cenário de zerar totalmente a taxa era defendido por uma ala do governo com assento no Palácio do Planalto que argumenta que a mudança precisa ter impacto efetivo nas compras de valores mais baixos e com isso impactar a população de renda mais baixa.
Nos levantamentos internos do Palácio do Planalto, a “taxa da blusinhas” é apontada como um dos principais pontos negativos do governo, junto com segurança pública e temas como combate à corrupção. Essas aferições têm motivado a ala política do governo a rever a medida.
A retomada do debate ocorre em um contexto de pressão sobre o custo de vida e de tentativa do Planalto de melhorar a percepção de renda da população. O debate ganha tração em um contexto no qual o governo também trabalha em medidas para reduzir o custo de crédito e o comprometimento de renda da população com dívidas.
O principal receio para redução da taxa das blusinhas era a reação do varejo doméstico, que passou a defender a tributação como forma de equilibrar a concorrência com plataformas estrangeiras. Foi esse discurso que levou o Congresso a aprovar a cobrança com votos da direita à esquerda.
Há também preocupação com o sinal de política econômica, especialmente no campo fiscal, ainda que o impacto direto sobre a arrecadação seja bem limitado, dado que o tributo arrecada menos de R$ 2 bilhões.
Criado em 2024
A “taxa das blusinhas” foi criada em 2024. Naquele momento, havia reclamações do varejo nacional porque compras abaixo de US$ 50 vinham ao Brasil sem cobrança de imposto, disfarçadas de encomendas pessoais.
Por conta disso, foi criado o chamado “Remessa Conforme”, que facilitou o desembaraço aduaneiro das empresas inscritas.
Também é necessário pagar o ICMS, que é 17% a 20%, a depender do estado.

