Jornais do mundo todo noticiaram o acidente de uma das principais atrações turísticas de Lisboa, o Elevador da Glória, que descarrilou e tombou nesta quarta-feira. Na manhã desta quinta-feira, o número de mostos foi atualizado e subiu para 16 vítimas e 22 feridos.
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O The New York Times, dos Estados Unidos, foi dos periódicos mundiais que fez a cobertura. Na publicação, descreveram o local do acidente para dar contexto ao leitor de como funciona o elevador: “sobe uma ladeira íngreme da Praça dos Restauradores e da Avenida da Liberdade para alcançar vistas panorâmicas do Bairro Alto”.
A rede televisa inglesa BBC foi outro veículo que também cobriu o caso. Eles descreveram que a cidade ficou “em choque” após o acidente. Na Argentina, o La Nacion foi outro que também noticiou o ocorrido.
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O El Páis, da Espanha, fez uma série de reportagenssobre o assunto. Em uma delas, enfatizou que a cidade ainda está “em choque” com o ocorrido.
O Ministério Publico de Portugal abriu um inquérito para investigar o acidente, enquanto o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, prestou solidariedade às famílias afetadas e decretou um dia de luto. Segundo o Itamaraty, até o momento, não há registro de vítimas brasileiras.
— Infelizmente, é possível que o número de mortos venha a aumentar — admitiu o atual responsável pela Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, João Oliveira, em declarações à rede SIC Notícias.
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Especialistas explicam que o sistema do tradicional ascensor, que liga o Largo dos Restauradores ao Bairro Alto, combina tração elétrica e um cabo responsável pelo contrapeso entre as duas cabines. Em entrevista à SIC, Fernando Nunes da Silva, especialista em engenharia e ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa, disse que uma possível causa para o acidente teria sido o rompimento de um dos cabos de tração, o que fez com que o elevador perdesse o controle.
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O presidente da Carris, responsável pela gestão do elevador, garantiu que a transportadora tem “protocolos excelentes” de segurança e anunciou a abertura de “um inquérito” interno para apurar as causas do incidente.
— É um dia de consternação. No que diz respeito à manutenção, o protocolo foi cumprido. Há 14 anos a manutenção é feita pela mesma empresa — disse.
Testemunhas relataram que, instantes antes da colisão, uma das cabines do bonde teria descido cerca de um metro, até que a outra, em alta velocidade, atingiu um prédio em uma curva da calçada.
— Pelo que se consegue ver pelas imagens, o mais provável é que se tenha quebrado um cabo de tração, e ao quebrar não funcionou os freios que normalmente deviam funcionar numa situação destas — explicou Silva.

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A manutenção do veículo é realizada pela empresa privada Maintenance Engineering, contratada pela Carris em agosto de 2022, após licitação. O contrato, de quase € 1 milhão (o equivalente a R$ 6,3 milhões), previa assistência permanente e substituição periódica do cabo a cada 1.500 dias de uso ou durante reparações intermediárias. Trabalhadores da Carris já haviam denunciado deficiências no serviço terceirizado.
O acidente será investigado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, órgão português responsável por relatórios técnicos sobre desastres. Segundo uma fonte ouvida pelo jornal Público, no entanto, a coleta de evidências no local só começará na quinta-feira, devido à escassez de pessoal. A Festa do Livro no Palácio de Belém, que iria acontecer entre quinta e o próximo domingo foi cancelada.
Inaugurado em 1885, o Elevador da Glória, que comporta até 43 passageiros — transportando anualmente mais de três milhões de passageiros — é também uma atração turística que recebe diariamente centenas de passageiros. É um dos três funiculares emblemáticos de Lisboa, ligando a Praça do Rossio às localidades do Bairro Alto e Príncipe Real.
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O acidente, porém, deixa uma série de dúvidas sobre a segurança e a manutenção da infraestrutura centenária, considerada monumento nacional desde fevereiro de 2002. O último deles aconteceu em maio de 2018, quando uma falha grave de manutenção fez com que veículo saísse dos trilhos, mas não houve vítimas. O serviço foi interrompido por um mês à época.
— Lisboa está de luto — disse Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que esteve no local. — É uma tragédia que nunca aconteceu na nossa cidade. O momento é de ação e ajudar. A única coisa que posso dizer é que é um dia muito trágico.
À SIC, Teresa d’Avó, que estava no local do acidente, conta que viu o momento em que o bonde passou “desenfreado” pela ladeira. Segundo ela, ele bateu com “uma força brutal” num prédio e se desfez.
— Foi com uma força muito grande, uma coisa impressionante. Não tinha qualquer tipo de freio — disse, contando que pedestres começaram a correr para o meio da avenida, “com medo”.
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Uma brasileira, identificada apenas como Yasmin, que também estava próxima ao local, contou à CNN que usava o veículo todos os dias, mas optou por ir caminhando nesta quarta.
— Uso diariamente, tanto para subir, quanto para descer. Hoje, decidi descer andando. Quando saí em frente ao hotel, o elétrico já estava tombado, as pessoas gritando, muita gente no chão, já sem vida — disse a brasileira. — Muito sangue. Eu nunca vi isso. Provavelmente estava cheio. Turistas, portugueses, esse horário é bem cheio.
Após o acidente trágico, diversos líderes europeus prestaram condolências às vítimas. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “os franceses juntam-se aos portugueses no luto”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que seus “sentimentos estão com as famílias das vítimas”, enquanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou “solidariedade com o povo português” e disse estar “profundamente abalado”.
Em nota, o governo brasileiro manifestou “sua solidariedade ao governo e ao povo de Portugal”. No texto, a chancelaria brasileira afirmou que o consulado-geral em Lisboa permanece à disposição para prestar assistência aos cidadãos brasileiros e familiares.