Uma série de incêndios florestais na Coreia do Sul deixou quatro mortos e forçou a retirada de milhares de pessoas que vivem em áreas de risco. Ao longo do fim de semana, foram registrados cerca de 50 focos simultâneos, e o tempo seco, aliado a ventos fortes, dificultaram o trabalho dos bombeiros. Para analistas, o desastre serve como um alerta para as autoridades sobre a capacidade do país de enfrentar os efeitos das mudanças do clima.

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Os primeiros incêndios foram registrados na sexta-feira na área de Sancheong, na província de Gyeongsang do Sul, a cerca de 300 km de Seul — quatro bombeiros morreram no combate às chamas, que ainda não foram totalmente contidas.

No sábado, foram identificados focos em Euiseong, província de Gyeongsang do Norte e nos arredores das cidades de Ulsan e Gimhae. Ao todo, cerca de nove mil bombeiros e voluntários participam da operação, amparados por 120 helicópteros. Para acelerar a liberação de recursos adicionais, três áreas foram designadas como zonas de desastre.

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Ao todo, 2,7 mil pessoas precisaram ser retiradas para áreas mais seguras, e muitas não têm mais um lar para retornar após o fim dos incêndios.

— Coisas que me lembram da minha juventude desapareceram sem deixar rastros, fotos dos meus filhos quando eram pequenos — disse Kim Byung-wook, um fazendeiro que viu a casa onde morou nos últimos 30 anos ser engolida pelas chamas, em entrevista à agência Reuters. — A maior prioridade é rapidamente criar medidas para dar suporte e permitir a recuperação do desastre o mais rápido possível.

Moradores desalojados por incêndios em Uiseong, na Coreia do Sul — Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP

De acordo com o serviço florestal da Coreia do Sul, cerca de 8,7 mil hectares de floresta foram devastados, um número que deve aumentar nos próximos dias.

— As agências relevantes devem estabelecer um sistema de cooperação orgânica para trabalhar em conjunto até que os incêndios florestais sejam completamente extintos — afirmou nesta segunda-feira o presidente interino, Han Duck-soo, durante visita à Sede Central de Contramedidas de Segurança e Desastres no complexo governamental.

Han, que retornou ao cargo após uma decisão da Corte Constitucional de reverter seu impeachment, aprovado pelo Congresso, também visitou áreas atingidas e pediu aos ministros e governos regionais que ofereçam apoio às famílias afetadas, assim como medidas para garantir a segurança dos bombeiros no combate às chamas.

Incêndio em área florestal em Uiseong, na Coreia do Sul — Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP
Incêndio em área florestal em Uiseong, na Coreia do Sul — Foto: YASUYOSHI CHIBA / AFP

O incêndio já é considerado o mais grave desde 2022, e dados divulgados pelo serviço florestal apontam que as mudanças nos padrões climáticos, com mudanças no padrão de chuvas e temperatura, devem causar novos e mais frequentes desastres no futuro. Diante desse cenário, especialistas dizem ser crucial não apenas se planejar para os incêndios, mas também mudar a forma de combatê-los.

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Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA) defende que os governos usem uma combinação entre análise de dados ambientais, conhecimento local das áreas afetadas e uma maior cooperação internacional. No domingo, o governador da província de Gyeongsang do Norte pediu que Seul autorize gastos com equipamentos mais modernos de monitoramento, mas a saída pode não estar apenas na liberação de verbas, mas também na forma como elas são usadas.

— As respostas atuais do governo aos incêndios florestais estão frequentemente colocando dinheiro no lugar errado. Os trabalhadores de serviços de emergência e bombeiros na linha de frente que estão arriscando suas vidas para combater incêndios florestais precisam ser apoiados —disse Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA, ao Korea Times. —Temos que minimizar o risco de incêndios florestais extremos estando mais bem preparados: investir mais na redução do risco de incêndio, trabalhar com comunidades locais e fortalecer o compromisso global para combater as mudanças climáticas.

Incêndios na Coreia do Sul deixam quatro mortos e testam capacidade do país para enfrentar desastres climáticos