O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou, na tarde desta terça-feira (08), que identificou a embarcação que atingiu uma baleia em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no domingo (06). De acordo com o órgão, medidas cabíveis estão sendo tomadas junto ao ICMBio, órgão responsável pela fiscalização da área. O acidente aconteceu no mês de pico de avistamento de baleias e golfinhos no mar de Arraial do Cabo, que vai até meados de setembro, e atrai um grande número de turistas à cidade para fazer a observação por terra ou das embarcações.
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As imagens foram gravadas por passageiros de outra embarcação na região conhecida como Boqueirão, perto da Praia dos Anjos. O momento exato em que o barco atinge a baleia é registrado em vídeo. A Fundação Municipal do Meio Ambiente informa que o caso está sendo monitorado. Para segurança dos animais, uma portaria federal determina que os barcos não podem desenvolver velocidade superior 5 nós (corresponde a 10km/h), além de outras regras.
Barco atinge baleia em Arraial do Cabo
No vídeo publicado nas redes sociais, é possível perceber a indignação das pessoas que assistem à cena. “Meu Deus, coitadinha dela (a baleia)!” diz uma mulher. Outra fala: “olha o cara por cima dela”. Uma voz que parece vir do barco que provocou o acidente responde: “Você consegue ver debaixo da água? Cala a boca aí, rapaz. Vai aprender, bobalhão!” Será que machucou ela?”, indaga outra voz vinda do barco vizinho.
— Até o momento, não temos registro desse animal machucado, encalhado ou morto na praia. Os projetos foram acionados, e a gente não tem nenhum registro aqui na região. É importante frisar que o monitoramento na água para esse tipo de incidente compete ao ICMBio e à Marinha do Brasil — informou Iacy Gallo, oceanógrafa e gerente do Projeto Mar de Baleias.
Iacy acredita que a baleia não tenha sido atingida com gravidade, porque a embarcação estava em uma velocidade reduzida. Depois do acidente, também, ela não foi mais avistada pela equipe de monitoramento indicando que não tenha morrido. Ela contou que os acidentes fatais mais comuns costumam envolver navios mercantes, por conta de desenvolverem uma velocidade maior e também pelo tamanho superior de suas hélices.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), através da Reserva Extrativista de Arraial do Cabo (Resex), informou que o caso está sendo investigado pela equipe de fiscalização do órgão em parceria com a Polícia Federal. Disse ainda que o responsável será autuado e encaminhado para as investigações criminais junto aos órgãos competentes.
A prefeitura de Arraial do Cabo orienta que, para organização de passeio de barco de forma segura e legal no município, os visitantes devem contratar apenas embarcações certificadas. Para estar de acordo com as normas, essas embarcações precisam estar registradas no cadastro oficial do Ministério do Turismo e ser beneficiárias da Resex.
Esses documentos, que devem ser apresentados no momento da contratação do passeio, precisam também estar expostos em local visível no barco. As dúvidas podem ser esclarecidas com a Secretaria de Turismo do município pelo telefone (22) 2622- 1949. Outra fonte de orientação é o ICMBio, que pode ser contatado pelo número (21) 97894-8465.
Para garantir segurança dos animais, veja o que é proibido pela Portaria 117/1996 do Ibama
- Produzir ruídos excessivos a menos de 300 metros de distância de qualquer espécie de baleia;
- Despejar qualquer tipo de detrito, substância ou material a menos de 300 metros de distância;
- Mergulho ou natação em distância inferior a 50 metros;
- Aproximação de aeronaves/drones em altura inferior a 100 metros;
- Aproximação de mais de duas embarcações simultaneamente;
- Aproximação de embarcações a qualquer espécie de baleia a menos de 100 metros de distância, com motor engrenado;
- Reengrenar/religar motor para afastamento antes de avistar os animais na superfície, em distância mínima de 50 metros;
- Perseguir qualquer espécie de baleia por mais de 30 minutos, em qualquer distância;
- Interromper ou tentar alterar o curso de deslocamento dos animais avistados;
- Dividir ou dispersar grupos intencionalmente.