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Inflação dos alimentos foi de 54,2% no governo Bolsonaro. No governo Lula, de 13,6%. Mas o consumidor não sente alívio

O preço dos alimentos, como sempre, entrou na campanha eleitoral. A oposição está no ataque, mas os números favorecem fortemente o governo Lula. Comparando 43 meses dos dois governos, ou seja, até julho, dá essa diferença enorme. Os preços da comida subiram 54,2% de janeiro de 2019 até julho de 2022. No período equivalente no […]

Inflação dos alimentos foi de 54,2% no governo Bolsonaro. No governo Lula, de 13,6%. Mas o consumidor não sente alívio


O preço dos alimentos, como sempre, entrou na campanha eleitoral. A oposição está no ataque, mas os números favorecem fortemente o governo Lula. Comparando 43 meses dos dois governos, ou seja, até julho, dá essa diferença enorme. Os preços da comida subiram 54,2% de janeiro de 2019 até julho de 2022. No período equivalente no governo Lula, a alta foi muito menor: 13,6%.
Até na prometida picanha da campanha de 2022 Lula teria o que mostrar. No governo Bolsonaro, de 2020 a 2022, o preço da picanha subiu 34% (O IBGE só passou a calcular o preço da picanha a partir de 2020). No governo Lula, até julho deste ano, a alta foi de 7,3%.
Por que ninguém sente alívio? É que o patamar já estava alto. Não houve queda de preços, mas apenas um ritmo menor de alta. O blog pediu ao economista sênior da 4intelligence Fabio Romão para fazer esses cálculos. Fatores diversos afetam a inflação de alimentos que não necessariamente têm a ver com o desempenho do governo. Mas os números mostram dois períodos com histórias inflacionárias bem diferentes.
Nesta sexta-feira, o IBGE vai divulgar o índice de agosto e vai ser uma deflação, queda de preços. Nada disso, contudo, o governo consegue capitalizar. Primeiro porque alta de preços, ainda mais de comida, é sempre culpa do incumbente. E o sentimento real é de um orçamento sempre mais apertado.
As pesquisas apontam que o eleitor está insatisfeito quando vai ao supermercado. No levantamento da Quaest feito na semana passada, questionados sobre o aumento do preço dos alimentos nos mercados, supermercados e feiras no último mês, 67% dos brasileiros afirmam que os produtos ficaram mais caros. Só que, de acordo com o IPCA, no mês pesquisado, a Alimentação no domicílio teve queda de 1,14%, puxada principalmente pelo tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%).
Na época de Bolsonaro, as maiores altas foram puxadas por itens como óleo de soja (174,3%), morango (172,4%), feijão-fradinho (148,9%), feijão-carioca (130,8%) e leite longa vida (130,5%). O período foi marcado por dois grandes choques externos que pressionaram os preços dos alimentos: a pandemia de Covid-19, que provocou uma crise logística global e desorganizou cadeias de produção e abastecimento, e, posteriormente, a guerra da Ucrânia.
Já no período equivalente de Lula, os maiores aumentos foram de morango (160,4%), tangerina (134,1%), cenoura (106%) e manga (104,6%). Depois desses quatro, nenhum outro item da alimentação no domicílio chegou a 60% de alta no período.
Então, por que há essa sensação de perda de poder de compra? Os preços subiram muito durante a pandemia e, mesmo quando passam a subir em ritmo menor ou até recuam, continuam em um patamar elevado. Ou seja, uma queda pontual não significa que os preços voltaram ao nível anterior à disparada. O consumidor não sente alívio porque não houve alívio, apenas um ritmo menor de alta.
Pegando outro recorte, e vindo da pandemia para cá, pelos dados organizados pelo economista Fábio Romão, de abril de 2020 até julho deste ano, a inflação de alimentos acumula alta de 61,8%. Ou seja, os preços dos alimentos ainda estão, em média, 61,8% acima do nível de seis anos atrás. Mesmo quando alguns produtos ficam mais baratos, a redução ocorre depois de uma forte alta acumulada.
— As famílias não têm sentido esse alívio nos preços de alimentos no curto prazo, pois seu “nível de preços” está bem acima do IPCA como um todo: desde março de 2020, enquanto o IPCA acumula alta de 43,2%, o subgrupo Alimentação no domicílio acumulou 61,8%.
Quando olhamos os alimentos básicos, por exemplo, os primeiros 43 meses do governo Bolsonaro, os alimentos básicos registraram alta expressiva. O leite longa vida, por exemplo, acumulou alta de 130%. O feijão-carioca subiu 98%. Já nos primeiros 43 meses do governo Lula, os mesmos itens registraram alta bem mais moderada. O café moído foi o produto com maior pressão, acumulando alta de 49%. A carne (patinho) subiu 22%, o leite longa vida, 19%, o feijão-carioca, 8%, e o ovo, 6%. O arroz chega a registrar deflação, com queda de 1,9% no período.
Os dois primeiros anos do governo Lula foram beneficiados pelo ciclo do boi, período de maior oferta de animais prontos para o abate, o que ajudou a reduzir o preço da carne. Ao longo dos três anos e meio de governo, as altas foram moderadas. O patinho registrou a maior alta (24%), seguido pelo acém (22%), chã de dentro (21%), músculo e peito de boi (19% cada), pá (19%), contrafilé (17%), alcatra (16%), costela (15%) e lagarto (14%). O frango praticamente não variou: o frango inteiro subiu apenas 0,35% e o frango em pedaços, 0,91% em 43 meses. O peixe, representado pela cavala, foi o único item a registrar deflação no período, com queda de 0,92%.
– Em 2022 e 2023 houve abate de fêmeas, o que gerou deflação de carnes em 2023. Inicialmente, a queda dos preços da carne ocorre quando há liquidação do rebanho e aumento do abate de fêmeas, elevando a oferta. Posteriormente, esse movimento reduz a capacidade de reposição do rebanho e cria as condições para uma nova alta dos preços da carne alguns anos depois.
Mas essas pequenas variações ocorreram depois de um período de altas generalizadas e expressivas. No governo Bolsonaro, o peito de boi liderou a alta, com 95%, seguido pela costela (94%), músculo (88%), acém (86%), pá (83%), lagarto (79%), patinho (74%), chã de dentro (73%), contrafilé (71%) e alcatra (63%). O frango também ficou significativamente mais caro: o frango em pedaços subiu 76% e o frango inteiro, 63%. O peixe, representado pela cavala, acumulou alta de 53% no período.

Inflação dos alimentos foi de 54,2% no governo Bolsonaro. No governo Lula, de 13,6%. Mas o consumidor não sente alívio

Autor

BRCOM