O governo da Costa Rica inaugurou nesta quarta-feira uma penitenciária com capacidade de 5,1 mil detentos, como parte de uma estratégia de combate ao crime organizado através da repressão e do encarceramento em massa. O local se espelha na megaprisão ostentada por El Salvador, que ajudou no projeto costarriquenho.
— O Cacco obrigará os criminosos a enfrentar um novo modelo: um modelo de rigor no combate ao crime. A Costa Rica se tornará uma referência global em segurança prisional — disse a presidente do país, Laura Fernández, usando a sigla para o Centro de Alta Contenção do Crime Organizado, nome oficial da instalação, durante a inauguração.
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Ao custo estimado de US$ 34 milhões, a penitenciária poderá receber o equivalente a 20% da atual população carcerária da Costa Rica, espalhados por 31 mil m², e as primeiras transferências devem ocorrer até o final do mês. Em um vídeo de apresentação, Fernández, eleita em fevereiro, disse que a obra era uma demonstração de seu compromisso com o combate à criminalidade.
— Estamos marcando um antes e um depois na Costa Rica em matéria de segurança penitenciária e segurança nacional (…) Vamos exercer mão firme porque “quem faz, paga” — acrescentou no vídeo.
Outrora um dos países mais seguros da América Latina, a Costa Rica enfrenta um aumento da criminalidade, ligada à atuação de organizações criminosas associadas ao narcotráfico, e no ano passado registrou 873 homicídios. Embora o número seja menor do que o visto em anos anteriores, ele está bem acima de padrões históricos.
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A promessa de mão forte contra o crime embasou a campanha de Fernández à Presidência, que não escondeu sua admiração pelo controverso líder de El Salvador, Nayib Bukele, que adota uma política de repressão máxima e que tem em uma megapenitenciária — o Centro de Confinamento do Terrorismo, Cecot — seu símbolo máximo.
Com capacidade para 40 mil detentos, o local foi alvo de denúncias sobre abusos, torturas, detenções ilegais e mortes. Aliado de Bukele, o governo dos EUA enviou centenas de imigrantes deportados para o Cecot, muitas vezes sem qualquer tipo de amparo legal. Na sexta-feira, Fernández fará uma visita a El Salvador e deve ir ao local.
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Apesar da prisão costarriquenha ter sido inspirada no Cecot, a legislação local impede que algumas práticas sejam replicadas. Os detentos terão direito à luz do dia e a fazer exercícios ao ar livre, além de um telefonema por semana e visitas, algo negado no cárcere em El Salvador. Por outro lado, precisarão usar uniformes sem bolsos e não terão acesso ao rádio e à TV. Inicialmente, a prisão será destinada a elementos considerados perigosos e com ligações com organizações criminosas.
A inauguração ocorre no momento em que a população carcerária da Costa Rica bateu recorde, com mais de 21 mil pessoas em regime de privação de liberdade. Desde 2022, houve um aumento de 42% no número de presos. Segundo o governo, resultado da maior cooperação internacional, da repressão ao crime organizado e da rapidez dos tribunais.
Assim como El Salvador, a Costa Rica integra o chamado Escudo das Américas, a aliança liderada pelos EUA oficialmente designada a combater o narcotráfico na região, mas que serve como um fórum para governos alinhados ao ideário do presidente dos EUA, Donald Trump.
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