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A liberação da nova unidade de saúde, no entanto, é polêmica. Em audiência pública realizada em junho para tratar do tema, a presidente da Associação de Moradores Amigos de Botafogo (Amab), Regina Chiaradia, chegou a ser vaiada por clientes da operadora, ao se mostrar preocupada com o impacto da chegada do hospital no trânsito do bairro. Os imóveis que podem ser ocupados pela Prevent ficam na Avenida Pasteur, números 138 e 146, que foram sede da empresa de tecnologia IBM entre 1980 a 2021.
Presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio, o vereador Pedro Duarte celebrou a inclusão do PL na pauta.
— Pedi que incluíssemos logo o projeto na pauta porque é preciso resolver esse imbróglio. Os usuários do plano de saúde, muitos com idade avançada, necessitam de uma solução. Pessoalmente, eu defendo um modelo de cidade em que a população esteja perto dos serviços quando necessário. Sou contra restringir esse ou aquele serviço. As melhores cidades e bairros são aqueles que têm moradores e serviços como educação e saúde próximos uns dos outros — defende o parlamentar, responsável por solicitar a audiência pública sobre o assunto.
A abertura de novos hospitais ou unidades hospitalares já era proibida desde 1982, por lei, nos bairros de Botafogo e Humaitá, e seguiu vedada no novo Plano Diretor da cidade, aprovado no fim de 2023. O texto original previa a liberação de hospitais na região, mas o artigo foi excluído da versão final após negociação entre os moradores e o prefeito, Eduardo Paes.
— O Plano Diretor recém-aprovado, já admitindo esse superadensamento urbano, manteve proibida a construção de mais hospitais aqui no bairro. Passando por cima da própria lei, o prefeito quer autorizar um novo hospital particular na já totalmente engarrafada Avenida Pasteur. Não somos contra hospitais, só achamos que ele pode ser instalado em outro bairro, com melhor circulação viária. O Porto Maravilha é um bom exemplo. Para que planejamento urbano se a própria prefeitura o desrespeita? — indagou a presidente da associação, antes da audiência pública.
Na justificativa da proposta do projeto de lei, o prefeito diz que a autorização seria “excepcional” e não geraria impacto para o bairro.
“O prédio foi originalmente destinado à prestação de serviços e atende aos requisitos de uso exclusivo para atividades de atendimento ao público desde os anos 1980, quando sediava a IBM. A reconversão para um hospital, portanto, respeita o histórico de utilização, sem impacto negativo para a vizinhança”, escreveu.
Inicialmente, a Prevent Sênior planejava fazer apenas consultas e exames no local, o que estaria permitido no atual Plano Diretor. No entanto, o projeto foi modificado e agora prevê centro cirúrgico com cinco salas, UTI com 18 leitos e 76 leitos de internação, sendo 40 em enfermaria e 36 em apartamentos privativos, além dos atendimentos ambulatoriais.
Logo após a audiência pública, a Prevent Sênior afirmou ao GLOBO-Zona Sul que “os impactos no trânsito de um hospital voltado a atendimentos eletivos serão inferiores a qualquer outra atividade administrativa ou empresarial” que pudesse ser implantada no local.