Enquanto se envolve na polêmica sobre a revisão do tombamento de boa parte do patrimônio histórico de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) parece não ser tão zeloso com a própria sede no município: a Casa da Guarda. O imóvel — um belo casarão que integra o complexo do Palácio Rio Negro — está há meses com o telhado coberto por uma lona para conter infiltrações provocadas pelas chuvas. Veja na foto abaixo:
Localizado na Avenida Koeler — que homenageia o engenheiro responsável pelo projeto urbanístico de Petrópolis —, o Palácio do Rio Negro foi construído em 1889 para ser a residência do Barão do Rio Negro, rico comerciante de café. A Casa da Guarda fica no anexo.
A Casa da Guarda faz parte de um conjunto de imóveis tombados em um processo iniciado pelo Iphan na década de 1960. Outras construções em algumas das principais avenidas e ruas da cidade também receberam proteção. Imóveis tombados têm direito a redução de até 50% no IPTU.
Agora, há uma proposta de alteração no tombamento do bem cultural denominado “Avenida Koeler: Conjunto Urbano-Paisagístico”. O tema é o primeiro item da pauta da reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que será realizada nesta terça-feira, na sede da autarquia, em Brasília. Se o projeto for aprovado, a área tombada em Petrópolis será reduzida em 38%.
Moradores e especialistas em patrimônio temem que a mudança abra precedente para a construção de empreendimentos imobiliários nas áreas que perderão proteção, com impacto direto na paisagem e na qualidade de vida da cidade histórica.

