Um homem apontado como suspeito de participação no atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos morreu na manhã desta quarta-feira (1º), durante uma ação da própria tropa no Jardim Guaianazes, na zona leste de São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, os agentes chegaram até o suspeito após uma denúncia, e sua eventual participação na tentativa de homicídio será investigada pela Polícia Civil.
Ainda segundo a corporação, o homem teria confrontado as equipes policiais e, na reação, foi atingido. Ele chegou a ser socorrido a uma unidade de saúde da região, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi registrada no 68º Distrito Policial.
Ronickson Pimentel foi baleado na cabeça no último sábado, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. O oficial permanece internado no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Em boletim divulgado na terça-feira, a PM informou que ele apresentou melhora clínica, com redução da necessidade de medicamentos para manter a pressão arterial e boa resposta ao tratamento neurológico.
A investigação do atentado é conduzida pela Polícia Civil. Na segunda-feira, a Justiça decretou a prisão temporária de dois suspeitos de participação no crime.
Ronickson é irmão de Eloá Pimentel, morta aos 15 anos pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves em outubro de 2008, em um cárcere privado que durou cerca de 100 horas e foi acompanhado ao vivo por emissoras de televisão, tornando-se um dos casos de maior repercussão do país.
Relembre o caso Eloá
A adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, fazia um trabalho escolar com três colegas na sua casa, em Santo André, na Grande São Paulo, quando o seu ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, entrou no apartamento com um revólver de calibre 32. Ele agrediu com socos os meninos Iago Vieira e Victor Lopes e espancou Eloá com chutes e tapas.
A partir de então, dizendo que “não tinha mais o que perder”, proibiu todos de saírem. Começava, na tarde daquela segunda-feira, 13 de outubro de 2008, um cativeiro de cerca de cem horas, que atrairia a atenção do país e terminaria com uma tragédia, após uma atuação criticada da polícia no desfecho e ao longo do caso.
Conforme a investigação policial sobre o caso, Eloá e Lindemberg haviam namorado por dois anos e sete meses, até a menina terminar o relacionamento por não mais tolerar o ciúme doentio e a personalidade agressiva do rapaz. Lindemberg, porém, não aceitou a decisão da adolescente e passou a persegui-la, chegando a agredir a menina fisicamente.
Segundo o promotor público Antonio Nobre Folgado, responsável pela acusação, ao não conseguir reatar com Eloá, o jovem passou a fazer planos de matá-la, por não admitir que a adolescente vivesse sem ele. Um caso clássico de crime de gênero, nove anos antes da inclusão da tipificação de feminicídio no Código Penal.
O sequestro terminou de forma trágica, na sexta-feira, 17 de outubro, em movimento considerado um erro da polícia. Por volta das 18h, depois de mais de cem horas de cativeiro, agentes do Gate e da Tropa de Choque da PM explodiram a porta do apartamento e invadiram. Mais tarde, os responsáveis diriam que a atitude foi motivada pelo som de um disparo que teria vindo da residência, algo negado por testemunhas.
Antes que fosse imobilizado, Lindemberg atirou nas reféns. Eloá foi baleada na virilha e na cabeça. Ela foi levada a um hospital em estado grave e morreu no dia seguinte. Nayara foi alvejada no rosto. Ela deixou o local do crime andando, foi operada e se recuperou do ferimento.
Em fevereiro de 2012, Lindemberg foi julgado, considerado culpado por 12 crimes e condenado a 98 anos e 10 meses de prisão. Sua sentença foi transmitida ao vivo por diversas emissoras. Em 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e três meses de prisão.

