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“A Coalizão da Flotilha da Liberdade confirma que seu navio civil Handala, a caminho de romper o bloqueio ilegal e genocida de Israel contra palestinos em Gaza, foi violentamente interceptado pelos militares israelenses em águas internacionais a cerca de 40 milhas náuticas de Gaza”, afirmou, em comunicado, a coalizão que organizou a viagem. “Às 11h43, horário da Palestina, a ocupação desligou as câmeras a bordo do Handala e perdemos toda a comunicação com nosso navio. O barco desarmado transportava suprimentos vitais quando foi abordado pelas forças israelenses, seus passageiros sequestrados e sua carga apreendida. A interceptação ocorreu em águas internacionais, fora das águas territoriais palestinas ao largo de Gaza, em violação ao direito marítimo internacional.”
Imagens transmitidas ao pela internet mostraram o momento em que os soldados entraram no Handala e prenderam os tripulantes — minutos depois, o sinal foi cortado. De acordo com a Coalizão Flotilha da Liberdade, que organizou a viagem, havia 21 pessoas a bordo, incluindo advogados, ativistas, médicos, jornalistas e duas deputadas do partido A França Insubmissa (esquerda), Gabrielle Cathala e Emma Fourreau, que atua no Parlamento Europeu.
“O Exército israelense está aqui. Estamos jogando nossos celulares no mar. Até breve. Parem o genocídio.”, escreveu Fourreau na rede social X.
O governo israelense nao se pronunciou.
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Horas antes da abordagem, os tripulantes relataram drones sobrevoando a embarcação, inclusive nos momentos que antecederam a chegada dos militares a bordo. Segundo os organizadores, o Handala levava “ajuda humanitária vital e uma mensagem de solidariedade de pessoas ao redor do mundo que se recusam a ficar em silêncio enquanto Gaza está faminta, bombardeada e soterrada sob escombros”.
O Handala partiu da Itália no dia 20 de julho, e enfrentou, de acordo com os organizadores da viagem, duas tentativas de sabotagem: no dia 19 de julho, foi encontrada uma corda amarrada em uma das hélices do navio. No dia seguinte, pouco antes da partida, o caminhão-pipa que deveria entregar água a bordo levava, segundo a coalizão, “ácido sulfúrico” — ao menos dois tripulantes sofreram queimaduras.
Na quinta-feira e na sexta-feira, o contato com a embarcação foi perdido por várias horas, enquanto seus tripulantes relataram a presença de drones na área.
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Em entrevista à rede al-Jazeera, Adam Shapiro, marido da ativista Huwaida Arraf, que está a bordo, disse que todos estavam “preparados” e “determinados” — na véspera, Arraf havia prometido fazer uma greve de fome caso a interceptação de fato ocorresse.
— Essas são pessoas que estão realizando essa ação não apenas para enviar uma mensagem… mas para tentar usar a indignação pública para forçar nossos governos a agirem — disse Shapiro.
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O bloqueio naval a Gaza está em vigor desde 2007, quando o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, mas foi intensificado após o início da guerra, em outubro de 2023. Há alguns dias, um porta-voz militar israelense reiterou que todos os tipos de acesso ao Mar Mediterrâneo no enclave, inclusive para mergulhos e pesca, estão vetados. A expectativa é de que o Handala seja levado ao porto de Ashdod e seus tripulantes sejam deportados.
No mês passado, outra embarcação da Coalizão Flotilha da Liberdade, o Madleen, foi interceptada ainda em águas internacionais, a cerca de 200km de Gaza, também levando ajuda e ativistas a bordo, incluindo a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila. Todos foram deportados, e o governo israelense afirmou que a flotilha “tentou encenar uma provocação midiática com o único propósito de ganhar publicidade”:
“Existem maneiras de entregar ajuda à Faixa de Gaza — elas não envolvem selfies para o Instagram”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores, em publicação no Instagram. Em outro comunicado, o órgão classificou as tentativas não autorizadas de romper o bloqueio como “perigosas, ilegais e prejudiciais aos esforços humanitários em andamento”.