Israel realizará eleições gerais em 27 de outubro, anunciou a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu neste domingo. A data, a última prevista em lei para a realização do pleito, permitirá que o governo cumpra integralmente seu mandato e fará desta a primeira eleição em Israel desde 1988 realizada no calendário originalmente previsto.
O Parlamento israelense (Knesset) encerrará seus trabalhos na próxima sexta-feira, data programada para o início do recesso eleitoral. Segundo a assessora jurídica da Casa, Sagit Afik, não será necessário aprovar uma lei para dissolver o Parlamento, já que não há intenção de antecipar o fim da atual legislatura.
Na última semana de funcionamento da 25ª Knesset, a coalizão tenta aprovar o maior número possível de medidas legislativas, entre elas propostas relacionadas à reforma do Judiciário e benefícios para a comunidade ultraortodoxa. Ainda não está claro, porém, quantos projetos poderão avançar antes do início do recesso, devido ao calendário apertado.
Também neste domingo, uma comissão do Parlamento aprovou a realização das duas votações finais sobre um projeto de lei que altera as regras de financiamento partidário. A proposta adia o pagamento de empréstimos concedidos às bancadas pelo Knesset e amplia o percentual de recursos públicos antecipados para as campanhas eleitorais.
A eleição definirá se Netanyahu, que responde a um processo por corrupção, permanecerá no poder em um país que vive há quase três anos em estado de guerra e enfrenta uma grave crise social. Aos 76 anos, o líder do partido de direita Likud é o primeiro-ministro que permaneceu por mais tempo no cargo na história de Israel, em diferentes períodos não consecutivos.
Este será o primeiro pleito realizado em Israel desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e, para muitos, representa um referendo sobre Netanyahu. As pesquisas mais recentes indicam que a maioria dos israelenses quer que ele deixe o poder. O ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot aparece como seu principal adversário.
As falhas de segurança que permitiram a entrada de combatentes do Hamas em território israelense continuam pesando sobre a popularidade do primeiro-ministro. Além disso, parte da opinião pública avalia que Netanyahu não cumpriu a promessa de alcançar uma “vitória total” sobre o Hamas e o grupo libanês pró-Irã Hezbollah.
Muitos israelenses também consideram que o premier foi deixado de lado nas negociações que resultaram em um acordo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, visto por muitos como desfavorável aos interesses de Israel.
No início de julho, o chefe interino da Comissão Central de Eleições de Israel, Din Livne, afirmou que o órgão estuda transmitir ao vivo a apuração dos votos. Segundo ele, a medida busca combater tentativas de desacreditar os resultados eleitorais. Embora seja impossível “roubar” uma eleição em Israel, disse, é possível convencer parte da população de que ela foi fraudada.
— Quem quiser acompanhar a contagem poderá fazê-lo — afirmou Livne durante uma conferência promovida pelo jornal Israel Hayom. — É um pouco entediante, mas qualquer pessoa que espalhe teorias da conspiração poderá ver que elas não têm fundamento.
(Com AFP)

