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Israel tenta conter motim de colonos contra militares em meio a aumento da violência contra palestinos na Cisjordânia

BRCOM by BRCOM
julho 1, 2025
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Integrantes de uma delegação diplomática da União Europeia inspecionam danos na aldeia de Kafr Malik, na Cisjordânia ocupada — Foto: Zain Jaafar/AFP

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou na noite de segunda-feira que as autoridades do Estado judeu não irão “permitir ou tolerar sob nenhuma circunstância” agressões contra militares do país, que desde a semana passada são alvo de ataques lançados por colonos judeus na Cisjordânia ocupada — que registrou um recrudescimento de ações israelenses, tanto oficiais quanto por parte de grupos extremistas, contra palestinos desde o início da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza, que já vitimou mais de 800 pessoas.

  • Leia também: Tribunal de Israel adia julgamento por corrupção de Netanyahu por ‘motivos diplomáticos e de segurança’
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O cisma entre militares e colonos se abriu na semana passada, após soldados israelenses agirem para dispersar um confronto entre colonos e palestinos em Kafr Malik, cidade ao norte de Ramallah. Em um comunicado, o Exército israelense afirmou que colonos atearam fogo a propriedades palestinas na quarta-feira. Testemunhas palestinas relataram que dezenas de pessoas invadiram a cidade a pé e em veículos, alguns deles armados e mascarados, e lançaram coquetéis molotov contra edifícios e carros, provocando incêndios por toda a aldeia. Durante a ação para dispersar o conflito, três palestinos foram mortos.

Apesar do desfecho sem maiores implicações para os extremistas que iniciaram o ataque, os colonos subiram o tom contra os militares e policiais, de quem exigem apoio em suas ações contra palestinos na Cisjordânia. Dois dias após o incidente, dezenas de colonos atacaram militares perto de Kfar Malik com pedras e paus. Uma nota do Exército israelense indicou que os soldados foram agredidos “física e verbalmente” e que “civis vandalizaram veículos das forças de segurança” e tentaram atropelá-los. Seis civis foram presos e entregues à polícia e um adolescente ficou ferido.

A repressão provocou um novo motim. Entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, dezenas de colonos atacaram uma base militar e tocaram fogo em uma instalação de segurança durante um protesto de extrema direita. O Exército afirmou que as soldados foram atacados com spray de pimenta e tiveram seus veículos vandalizados. O total de detidos desde o começo dos motins é de 11. Na segunda, Katz convocou a reunião com presença de comandantes do Exército e da polícia, autoridades do Ministério da Defesa e ligadas à programas voltados aos colonos.

“O principal é uma fiscalização policial significativa. Será criado um órgão conjunto, liderado pela polícia e em cooperação com as Forças de Defesa de Israel e o Shin Bet, para coordenar o tratamento da questão”, disse Katz, segundo um comunicado divulgado após a reunião.

Integrantes de uma delegação diplomática da União Europeia inspecionam danos na aldeia de Kafr Malik, na Cisjordânia ocupada — Foto: Zain Jaafar/AFP

  • Artigo: A disputa entre EUA e China como pano de fundo para a guerra entre Israel e Irã

Relatos na imprensa israelense apontam que autoridades que participaram da reunião convocada por Katz demonstraram preocupação com o “tratamento leniente” oferecido aos colonos envolvidos nos atos de violência contra os militares — um fenômeno raro na dinâmica da região ocupada por Israel desde 1967.

Grupos israelenses de defesa dos Direitos Humanos e movimentos palestinos denunciam há anos a impunidade contra as ações de grupos extremistas de colonos — alguns dos quais foram punidos com sanções internacionais —, o que dizem criar uma cultura de impunidade que estimula novos ataques. A organização israelense Yesh Din, que examinou mais de 1.600 casos de violência de colonos na Cisjordânia entre 2005 e 2023, concluiu que apenas 3% resultaram em condenação.

Em manifestações públicas sobre a violência contra os militares no domingo, os principais políticos do país, incluindo líderes ligados aos colonos, condenaram a rebelião — mas a maioria não mencionou os ataques contra os palestinos.

Soldados israelenses montam guarda enquanto colonos israelenses visitam o antigo centro e o mercado da cidade palestina de Hebron, na Cisjordânia ocupada, em 28 de junho — Foto: Hazem Bader/AFP
Soldados israelenses montam guarda enquanto colonos israelenses visitam o antigo centro e o mercado da cidade palestina de Hebron, na Cisjordânia ocupada, em 28 de junho — Foto: Hazem Bader/AFP

  • Contexto: Israel autoriza maior expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia em décadas em meio à guerra em Gaza

A atual refrega entre colonos e militares ocorre em meio a uma das maiores escaladas de violência no território palestino mais ao norte. Principal teatro de operações israelense antes do início do conflito contra o Hamas em Gaza, a Cisjordânia também sofreu com o desenrolar do conflito.

O Ministério da Saúde palestino afirma que 946 pessoas morreram na Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023, enquanto 35 israelenses morreram no mesmo período no território, segundo dados do Estado judeu. O Escritório de Assuntos Humanitários da ONU, que monitora as vítimas no terreno, aponta que mais de 850 palestinos e 40 israelenses foram mortos na Cisjordânia nesse ínterim.

A ampla campanha do Exército israelense contra grupos armados palestinos no norte da Cisjordânia, que deslocou dezenas de milhares de palestinos de suas casas nas cidades de Jenin e Tulkarm, foi acompanhada por uma intensificação dos ataques de grupos extremistas judeus contra cidades palestinas em outras partes da Cisjordânia. No campo político, o governo israelense deu sinais de apoio aos colonos, endossando suas reivindicações expansionistas.

Em maio, o governo autorizou o estabelecimento de 22 assentamentos judaicos na região palestina, na maior expansão territorial em anos — um movimento de colonização considerado ilegal pela ONU, sob a ótica do direito internacional. Ao longo da guerra, autoridades do governo, incluindo o premier israelense, Benjamin Netanyahu, defenderam a tomada de territórios palestinos, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia.

  • Leia também: EUA revogam vistos de rappers por cântico contra Israel no Festival de Glastonbury

Cerca de três milhões de palestinos vivem na Cisjordânia ao lado de aproximadamente 500 mil colonos israelenses, sob um sistema jurídico de dois níveis que alguns grupos de direitos humanos comparam ao apartheid — uma acusação fortemente rejeitada por Israel.

Alguns assentamentos judaicos são comunidades relativamente tranquilas, para onde os moradores foram atraídos na busca por moradia mais barata ou seguindo ideologias nacionalistas. Grupos mais radicais e linha-dura vivem em postos avançados nos topos das colinas, como a Juventude do Topo da Colina, uma organização que ficou sob sanção americana por anos. Segundo ex-oficiais militares israelenses, esses grupos são uma fonte frequente de ataques contra palestinos.

Durante a reunião de segunda-feira, além da promessa de punição e de criação de uma força conjunta, Katz ordenou a alocação de dezenas de milhões de shekels em recursos e fundos para estruturas educacionais e normativas para jovens das colinas, segundo um comunicado divulgado pelo ministério. (Com AFP e NYT)

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