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Japão abre guerra contra ‘clubes’ que forjam romance para mulheres

BRCOM by BRCOM
julho 31, 2025
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Japão aprovou novas leis para 'clubes dos anfitriões' — Foto: Yuichi YAMAZAKI / AFP

O Japão está travando uma guerra contra os “host clubs” (clubes dos anfitriões, em tradução livre, onde homens entretêm mulheres dispostas a pagar por romance) depois que as autoridades e pessoas do setor afirmaram que as clientes, há muito tempo, são enganadas e contraem dívidas “astronômicas”.

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Com os cabelos cuidadosamente arrumados e bem vestidos, os “hosts” encantam as mulheres com palavras doces e com a ilusão de intimidade em estabelecimentos de luxo nas grandes cidades japonesas. Em troca, as mulheres pagam preços inflacionados por champanhe e outras bebidas caras enquanto flertam — algumas gastando dezenas de milhares de dólares em uma única noite.

As autoridades estão reprimindo esses clubes devido a alegações de que algumas mulheres estão sendo levadas a contrair altas dívidas pelos hosts, e até mesmo à se prostituírem para quitá-las.

Sob uma nova lei que entrou em vigor em junho, explorar os sentimentos românticos das mulheres para manipulá-las a pedir bebidas superfaturadas passou a ser proibido.

Isso causou um grande abalo em uma indústria onde o “pseudo-romance” — que vai do flerte casual ao sexo fora do expediente — há muito tempo impulsiona o relacionamento com clientes.

John Reno, um “host” famoso no distrito da luz vermelha de Tóquio, Kabukicho, disse que a repressão era “esperada” após o aumento de hosts com comportamento de “golpistas”. Os hosts, disse ele à AFP, costumavam usar a intimidade principalmente para entreter as mulheres.

— Mas a mentalidade deles hoje é basicamente ‘se você me ama, então não reclame’, silenciando as mulheres e explorando sua dependência emocional — afirmou o proprietário do Club J, de 29 anos.

Japão aprovou novas leis para ‘clubes dos anfitriões’ — Foto: Yuichi YAMAZAKI / AFP

Um número crescente de vítimas tem relatado exploração financeira e sexual relacionada a esses estabelecimentos.

Dados oficiais mostram que houve cerca de 2.800 casos relacionados a host clubs reportados à polícia em 2024, um aumento em relação aos 2.100 registrados dois anos antes. Os casos vão desde hosts que pedem bebidas que as clientes não solicitaram até prostituição.

Segundo a polícia, alguns hosts estão lucrando ao apresentar suas clientes endividadas a intermediários conhecidos como “scouts”, que então as encaminham para o mercado do sexo. Por sua vez, as mulheres se esforçam para agradar seus “crushes”.

— Esses hosts, em troca, prometem que o esforço delas será recompensado com um relacionamento real ou casamento — disse Reno.

Isso é “fraude descarada”, acrescentou ele, negando que seus funcionários do Club J estejam envolvidos nesse tipo de prática.

Segundo ativistas, dificuldades como pobreza e abuso muitas vezes fazem dos hosts a única “válvula de escape” para jovens com baixa autoestima.

Enquanto mulheres de carreira e bem-sucedidas costumavam ser a clientela principal, cada vez mais meninas “sem lugar para estar” estão buscando refúgio, afirmou Arata Sakamoto, chefe da ONG Rescue Hub, sediada em Kabukicho.

— Os host clubs se tornaram um lugar onde se sentem aceitas e tranquilas por poderem ser quem são, ainda que em troca de dinheiro — disse ele.

Numa noite recente, uma mulher de 26 anos foi vista cercada por homens sorridentes em uma mesa do exuberante clube Platina, em Kabukicho.

— Alguns hosts são ruins a ponto de te fazer uma lavagem cerebral, mas eu diria que as mulheres também deveriam saber que não se deve beber mais do que se pode pagar — disse à AFP a mulher, freelancer da área de mídia que preferiu não se identificar.

Outra cliente disse que vai ao Platina para “dar uma animada na vida monótona”.

— Espero que esse lugar continue fazendo meus hormônios femininos transbordarem — disse uma trabalhadora de TI de 34 anos.

A nova lei não proíbe intimidade, mas sim comportamentos como ameaçar terminar o relacionamento com a cliente se ela se recusar a pedir bebidas. Donos de clubes, como Ran Sena, do Platina, dizem que a lei é “vaga demais”.

— Por exemplo, se uma cliente me disser ‘estou começando a me apaixonar por você’, isso significa que eu terei que proibir ela de me ver de novo? — questionou.

Outra mudança também está sacudindo a indústria. A polícia notificou os clubes de que não é mais aceitável usar outdoors publicitários que exaltem as vendas e popularidade de hosts individuais.

A justificativa é que esses letreiros iluminados por neon, que ostentam status como “nº1” ou “vendas milionárias”, podem estimular a competição entre os hosts e incentivá-los a visar ao lucro acima de tudo.

Autoidentificações como “conquistador”, “deus” ou “rei” de Kabukicho, e frases que encorajam clientes a “se afogarem no amor”, por exemplo, também estão proibidas.

Para se adequar, os clubes rapidamente cobriram tais slogans nos outdoors de Kabukicho, colando fitas pretas sobre os retratos dos hosts fazendo bico. Isso sinaliza uma crise de moral “enorme” para os hosts, diz Sena.

— Era o sonho de muitos hosts ser chamado de Nº1, conquistar um título e se tornar famoso nessa cidade — disse ele. — Agora, eles nem sabem mais pelo que devem lutar — acrescentou o empresário de 43 anos.

Para as mulheres também, o ranqueamento era uma forma de se tranquilizar de que o dinheiro gasto com seu “oshi” (favorito) não era em vão: uma prova de que estavam ajudando o host a subir nessa indústria competitiva.

— Acho que a indústria está caminhando para o declínio — concluiu Sena.

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