O governo japonês apresentou, neste domingo, um raro protesto contra os Estados Unidos depois que um fuzileiro naval americano foi preso em relação à morte de uma mulher no arquipélago de Okinawa. Devin J. Ballard, de 20 anos, cabo designado para a Terceira Força Expedicionária de Fuzileiros Navais em Okinawa, estava sob custódia das autoridades em Naha, capital de Okinawa, segundo autoridades americanas. Ele é acusado de roubar e matar Anna Yagi, de 39 anos, encontrada em um hotel em Naha na manhã de sábado.
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O caso ameaça reacender as preocupações com a presença militar americana em Okinawa, a província mais ao sul do Japão, que abriga cerca de 30 mil militares americanos da ativa. Crimes cometidos por integrantes das Forças Armadas dos EUA em Okinawa são fonte de tensão entre os dois países há décadas.
O Ministério das Relações Exteriores do Japão apresentou a queixa neste domingo à Embaixada dos Estados Unidos em Tóquio, que afirmou estar ciente do caso e que cooperaria com a investigação.
“Expressamos nossas sinceras condolências à família da vítima”, disse a embaixada em uma publicação nas redes sociais.
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A Terceira Força Expedicionária de Fuzileiros Navais confirmou, em um comunicado divulgado neste domingo, que um fuzileiro estava sob custódia.
“O Corpo de Fuzileiros Navais leva essas acusações muito a sério e espera que todos os fuzileiros cumpram os mais altos padrões de comportamento”, afirmou.
Veículos de imprensa japoneses informaram que imagens de câmeras de segurança mostram o cabo Ballard entrando no hotel com Yagi no início da manhã de sábado. A polícia de Okinawa não estava disponível para comentar o caso.
Em 2017, um tribunal de Okinawa condenou à prisão perpétua um ex-fuzileiro naval americano, Kenneth Franklin Shinzato, depois que ele foi considerado culpado pelo estupro e assassinato de uma japonesa de 20 anos, Rina Shimabukuro.
Okinawa, com uma população de 1,5 milhão de habitantes, abriga 70% das bases americanas no Japão, apesar de representar apenas 0,6% do território do país. Os EUA tomaram Okinawa do Japão após a Segunda Guerra Mundial; devolveram a ilha em 1972, mas continuaram operando bases militares no local. Okinawa tem importância estratégica por estar próxima da China e de Taiwan.
Um movimento pacifista que já teve grande influência em Okinawa e se opõe à presença militar americana perdeu parte de sua força nos últimos anos, em meio à retomada das preocupações com a China.
Genta Koja, um político conservador, venceu no mês passado a eleição para governador de Okinawa, em uma vitória para a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, de linha mais dura, que busca acelerar o fortalecimento militar na região para fazer frente à China. Koja derrotou um governador que havia criticado as políticas de defesa de Takaichi e se oposto à construção de novas instalações das Forças Armadas americanas na ilha de Okinawa.
Japão faz raro protesto formal aos EUA após fuzileiro naval americano ser acusado de matar mulher no arquipélago de Okinawa
