Hoje, no Dia Mundial do Meio Ambiente, vale lembrar que o Rio de Janeiro é uma referência para a Mata Atlântica e internacionalmente reconhecido por sua exuberância natural. A cidade é repleta de parques naturais e áreas verdes que embelezam e humanizam seus bairros. No entanto, entre Ipanema e Leblon, um contraste se impunha: o Jardim de Alah, espaço que já conheci árido e abandonado.
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Localizada na restinga entre a Lagoa Rodrigo de Freitas e o mar, com vista para a Floresta da Tijuca, a área tornou-se um vazio urbano. Visitei o local há pouco tempo, e o contraste é evidente entre o seu potencial e seu estado atual. Mas esse cenário está prestes a mudar.
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Com o projeto de revitalização do Parque Jardim de Alah, resultado de uma parceria público-privada, o Rio de Janeiro avança na valorização desse espaço público. A concessão visa a transformá-lo num novo cartão-postal, um lugar com mais verde, lazer, cultura e educação.
Mais que uma intervenção urbana, trata-se de transformação ambiental, paisagística e social. Um dos gestos mais simbólicos será a remoção das grades que hoje isolam o parque. Em seu lugar, surgirá um ambiente aberto, mais arborizado e acessível, que poderá se integrar à vida da cidade, à comunidade do entorno e da Cruzada São Sebastião e ao cotidiano de cariocas e visitantes.
O projeto prevê a recuperação da vegetação nativa, com plantio de cerca de 330 árvores da Mata Atlântica, inclusive raras e frutíferas, respeitando a legislação de tombamento municipal e preservando a memória afetiva e cultural do local. Como parte da transformação, o consórcio recebeu autorização para a supressão de 130 árvores — em sua maioria, espécies exóticas —, mas planeja a retirada de apenas 70, além de 60 a ser transplantadas. Comprometeu-se com uma compensação ambiental que prevê o plantio de mais de 1.300 árvores em áreas definidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.
A restauração da área poderá representar um passo essencial para a sustentabilidade urbana, ao recuperar sua função ecossistêmica, servir de refúgio para a biodiversidade local e reverter o ciclo de degradação, provando que é possível transformar a realidade em símbolo de regeneração e convivência entre natureza e cidade.
Essa iniciativa reforça o papel fundamental dos parques naturais e urbanos na qualidade de vida, pois, além de abrigarem a biodiversidade, eles promovem bem-estar, fortalecem laços e valorizam o entorno. Com esse projeto, o Rio reafirma seu pioneirismo na restauração ambiental — já evidenciado por ser a primeira cidade brasileira a restaurar uma área da Mata Atlântica, a Floresta da Tijuca — e mostra que é possível unir preservação e desenvolvimento urbano.
Que o renascimento do Jardim de Alah inspire outras transformações e que mais espaços esquecidos sejam devolvidos à população, com mais cidades que acreditem no verde, na convivência num futuro mais humano e sustentável. Esse projeto é um passo importante nessa direção.
*Marcia Hirota é presidente do conselho da Fundação SOS Mata Atlântica

