Vítima de feminicídio na tarde de segunda-feira (10), Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, sonhava em se formar em Ciências Biológicas e fazer trabalho voluntário na África. A jovem havia acabado de ser aprovada no curso da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), para começar a graduação no segundo semestre de 2026, e já tinha comprado o material escolar. Também havia acabado de tirar a carteira de motorista e fazia planos para viajar pelo mundo, aprender novos idiomas e estudar mais sobre política.
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Joviana estava desaparecida desde quinta-feira (6). Familiares acionaram a Polícia Militar após perceberem que ela estava há dias com contato inconsistente por mensagens. Na manhã de segunda-feira (10), policiais localizaram o corpo da jovem em um dos quartos de uma residência no bairro Santa Apolônia, em Sangão, no Sul de Santa Catarina.
O namorado de Joviana, José Gustavo Rabelo, de 21 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil. Segundo a corporação, ele se apresentou voluntariamente à autoridade policial e, durante o interrogatório, confirmou a versão que já havia apresentado aos investigadores sobre a dinâmica dos fatos.
A Polícia Científica realizou perícia no imóvel. As diligências continuam para esclarecer as circunstâncias, a autoria e a motivação do crime.
Comoção
Amigas lembram de Joviana como uma jovem que vivia intensamente e estava especialmente animada com a nova fase. Clara Silveira contou nas redes sociais que esteve na casa da amiga dias antes e a viu mostrar, entusiasmada, o material que havia comprado para começar a faculdade. “Não existia alguém mais feliz do que você naquela semana”, escreveu.
Para Stefany Goulart, Joviana era uma pessoa que não tinha medo de viver como queria. “Você fazia tudo o que tinha vontade, sempre vivendo intensamente e sem se importar com a opinião de ninguém”, escreveu. A amiga disse ainda que levará para sempre a lembrança do jeito de Joviana, que, segundo ela, fazia as pessoas ao redor se encantarem.
Vitória Souza recordou detalhes que, para ela, vão manter a amiga presente na memória: o gosto por maçã verde, a série The Office, Harry Potter, Baco, praia e pôr do sol. Também falou dos sonhos que Joviana tinha para o futuro: se formar em Biologia, fazer trabalho voluntário na África, viajar pelo mundo, aprender vários idiomas e estudar mais sobre política. “Tudo isso foi tirado de ti”, escreveu Vitória.
A morte de Joviana também provocou mobilização entre estudantes da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), onde ela havia sido aprovada para cursar Ciências Biológicas. Em nota de pesar, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) lamentou a morte da jovem e classificou o caso como feminicídio.
“Joviana Evelyn Lankovsky, sua vida importa. Sua história não será reduzida ao silêncio”, afirmou o DCE. A entidade também convocou estudantes, professores, técnicos, trabalhadores e integrantes da comunidade acadêmica para um ato em memória da jovem e contra a violência às mulheres, realizado na segunda-feira (10), em frente à sede do diretório.
Na nota, o DCE afirmou ainda que a morte da jovem não poderia ser tratada “como mais um caso de violência” e defendeu a necessidade de denunciar e combater a violência contra as mulheres.
A nota de pesar do Diretório Central dos Estudantes da Universidade do Extremo Sul Catarinense
Reprodução/Instagram

