- Luigi Mangione: Suspeito de matar CEO diz que policiais deram lanche para coletar DNA, e defesa questiona prisão
- Logotipo, ângulo peculiar, ‘stippling’ único: O que levou polícia a suspeitar que arma usada em morte de CEO foi feita com impressora 3D?
Na audiência, a primeira com a participação de Mangione desde fevereiro, o juiz Gregory Carro afirmou em sua decisão que embora a acusação aponte para uma motivação “ideológica” para o crime, “não há nenhuma indicação no estatuto de que um assassinato cometido por razões ideológicas (..) se enquadra na definição de terrorismo sem estabelecer o elemento necessário de uma intenção de intimidar ou coagir”.
Dessa forma, declarou que as duas acusações ligadas a terrorismo — homicídio em primeiro grau (premeditado e intencional) como parte de um ato de terrorismo, e homicídio em segundo grau (intencional, mas sem premeditação) como um crime de terrorismo — eram “legalmente insuficientes”.
O promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, afirmou, em dezembro do ano passado,que se tratava de um “assassinato assustador, bem planejado e direcionado, com o objetivo de causar choque, atenção e intimidação”o. Já a defesa alega que as acusações de terrorismo apresentadas pela promotoria não se enquadram nas definições do crime no estado de Nova York — segundo a legislação estadual, um ato de terrorismo se refere a ataques a várias pessoas, e não uma só vítima. Mangione se declarou inocente das acusações.
No dia 4 de dezembro, o CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, foi baleado na porta de um hotel de Nova York, pouco antes de participar de um evento do setor de saúde, e morreu no local. Imediatamente, forças de segurança de todo o país iniciaram uma varredura em busca do atirador, que fugiu em uma bicicleta elétrica e chegou a ser flagrado sorrindo por uma câmera de segurança.
- Caso Luigi Mangione: Mulher é acusada de ameaçar plano de saúde com as mesmas palavras usadas por assassino de CEO
Luigi Mangione, integrante de uma família de alta renda e formado pela Universidade da Pensilvânia, foi capturado cinco dias depois, em uma lanchonete na Pensilvânia, após denúncia de um funcionário. Com ele estava uma arma de fogo, munição, documentos falsos e um manuscrito de pouco mais de 200 palavras.
O afastamento das denúncias de terrorismo são referentes apenas ao caso movido pela Justiça de Nova York. Além desse, Mangione também está sendo processado no âmbito federal, onde o Departamento de Justiça afirmou pedirá a pena de morte, e na Pensilvânia, onde ocorreu a prisão.
- Ingressos esgotados: Vida de Luigi Mangione e Sean ‘Diddy’ Combs na prisão vira musical
Após o assassinato de Thompson, Mangione se tornou um dos personagens mais discutidos e controversos no meio político americano. Para muitos, ele passou a ser visto como uma espécie de “vingador moderno” contra as empresas de saúde dos EUA. Para outros, era o símbolo de uma agenda da “esquerda radical” e uma expressão violenta da “agenda woke”. De qualquer forma, ele revelou, em fevereiro, que recebe uma quantidade considerável de cartas na prisão.
O anúncio do afastamento das acusações ocorre em um dos momentos mais turbulentos da história política recente dos Estados Unidos, após o assassinato do influenciador conservador Charlie Kirk, na semana passada. Aliados do presidente Donald Trump, especialmente seu vice, JD Vance, incrementaram o volume de críticas a vozes de oposição, e não descartaram perseguir grupos de esquerda. O principal suspeito, Tyler Robinson, deve participar de audiência em um tribunal de Utah nesta terça-feira.