A juíza Sonia Sotomayor, integrante da ala liberal da Suprema Corte dos Estados Unidos, recebeu mais de US$ 4 mil (cerca de R$ 20 mil) em ingressos de uma gravadora porto-riquenha que tem Bad Bunny entre seus artistas. A informação consta em um relatório de transparência financeira divulgado nesta segunda-feira.
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Sotomayor declarou ter recebido US$ 4.333, cerca de R$ 20 mil, em ingressos da Rimas Entertainment “para um show, para mim e convidados, enquanto eu estava em uma viagem particular a Porto Rico em agosto de 2025”. Naquele período, Bad Bunny realizava uma residência artística com várias apresentações em Porto Rico, que se estendeu por semanas.
A revelação foi uma das mais relevantes dos relatórios anuais de divulgação financeira dos ministros da Suprema Corte e de outros integrantes do Judiciário americano, tornados públicos nesta segunda-feira, horas depois de a Corte divulgar algumas das decisões mais importantes de seu atual período de trabalhos.
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Os ministros declararam mais de US$ 2 milhões, cerca de R$ 10 milhões, em pagamentos de editoras por livros e viagens pelo país para promover essas obras. Os documentos, porém, também evidenciam a falta de detalhes disponíveis nesses relatórios: em nenhum momento o informe de Sotomayor menciona explicitamente a qual show ela compareceu. Um porta-voz da Corte não respondeu a perguntas sobre o relatório da juíza.
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A ministra Ketanji Brown Jackson, indicada pelo ex-presidente Joe Biden, declarou US$ 1,2 milhão, cerca de R$ 6,23 milhões, em receitas de adiantamento por um livro da Penguin Random House. Jackson segue viajando pelo país para promover sua autobiografia, “Lovely One”, publicada em 2024. Recentemente, ela também lançou uma versão da obra voltada para o público jovem adulto.
A ministra Amy Coney Barrett, última indicada do presidente Donald Trump para a Suprema Corte, informou quase US$ 850 mil, cerca de R$ 4,4 milhões, em receitas do Javelin Group, que publicou no ano passado seu primeiro livro, “Listening to the Law”.
O ministro Neil Gorsuch, de orientação conservadora, também tem participado de eventos para promover um livro infantil de sua autoria sobre a Declaração de Independência. Gorsuch declarou US$ 300 mil, cerca de R$ 1,5 milhão, em rendimentos de direitos autorais no ano passado, provenientes da HarperCollins Publishers.
Os ministros da Suprema Corte americana, que recebem mais de US$ 300 mil por ano, são proibidos de obter mais de cerca de US$ 30 mil, cerca de R$ 155 mil, anuais em rendimentos externos. A receita proveniente de livros, no entanto, está isenta dessa regra, o que cria um incentivo para que os nove magistrados escrevam sobre temas que vão além de suas decisões e opiniões jurídicas.
O ministro conservador Samuel Alito pediu mais tempo para apresentar seu relatório anual, como tem feito ao longo dos anos.
Os documentos também listam diversas viagens realizadas pelos ministros dentro e fora dos Estados Unidos. Barrett, por exemplo, informou ter viajado a Londres no outono passado para um “workshop de teoria jurídica” custeado pela Faculdade de Direito da Universidade de Notre Dame. Gorsuch viajou a Praga, em julho, para um “programa educacional” patrocinado pela Universidade George Mason.

