A Justiça de São Paulo revogou as medidas cautelares de monitoramento por tornozeleira eletrônica e de recolhimento noturno de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”. Ela é investigada por lavagem de dinheiro para a facção criminosa. Em decisão publicada na última terça-feira (28), a juíza Paula Regina Schempf Cattan entendeu que a manutenção das restrições poderia configurar uma “punição antecipada”.
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Segundo a magistrada, não há justificativa para que uma pessoa permaneça submetida por tempo indeterminado ao monitoramento eletrônico. As medidas foram substituídas pela proibição de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial, pela obrigação de entregar o passaporte à Justiça — condição para a retirada da tornozeleira — e pelo comparecimento mensal em juízo. A defesa informou que o documento já havia sido apreendido pela Polícia Civil.
Ao acolher parcialmente o pedido dos advogados, a juíza destacou que Karen possui residência fixa, cumpriu todas as medidas impostas e não apresentou qualquer indício de tentativa de fuga. Ela também determinou que a Polícia Civil informe, em até 30 dias, o andamento das diligências restantes, incluindo a perícia no celular apreendido da investigada.
Karen foi presa em fevereiro de 2024, durante a Operação Verão da Polícia Civil, sob suspeita de atuar na lavagem de dinheiro do PCC por meio de empresas de fachada. Na ocasião, os policiais apreenderam cerca de R$ 1,2 milhão em espécie, aproximadamente US$ 50 mil e um veículo de luxo em sua residência, no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que uma empresa ligada a ela movimentou mais de R$ 35 milhões.
Viúva de Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”, apontado como uma das principais lideranças do PCC e morto em 2018, Karen teve a prisão preventiva convertida em domiciliar por ser mãe de um filho menor. Posteriormente, a medida foi substituída pelas cautelares.
Em nota, a defesa afirmou que Karen sempre esteve à disposição das autoridades, nunca descumpriu as determinações judiciais e sustentou que a investigação se prolongou sem apresentação de denúncia pelo Ministério Público.

