O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a soltura do empresário Igor Ferreira Sauceda, motorista de um Porsche amarelo que estava preso por perseguir, atropelar e matar um motoboy no ano passado, em São Paulo. Ele cumpria prisão preventiva há 10 meses.
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Com a decisão, o investigado terá de usar tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar o estado de São Paulo sem notificar a Justiça. Ele também terá de entregar o passaporte e ficará com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa.
A Justiça decidiu revogar a prisão de Sauceda acolhendo o pedido da defesa. A decisão foi fundamentada no fato de que, ao longo da instrução processual, não se confirmou a versão inicial de que o acusado teria comportamento ameaçador ou histórico de intimidação utilizando o mesmo veículo, como constava no início do processo.
Família acusa Igor Sauceda, que atropelou e matou motociclista na Zona Sul, de perseguição
Além disso, foi registrado que o inquérito que investigava supostas ameaças foi arquivado. Nenhuma testemunha, durante os depoimentos em juízo, relatou ter sofrido ameaças, intimidações ou tentativas de obstrução de provas por parte do réu. Foi apontado ainda que Sauceda colaborou desde o início com as investigações, permaneceu no local dos fatos e prestou esclarecimentos à polícia, demonstrando conduta colaborativa.
Outro fator que motivou a soltura foi o “excesso de tempo da prisão preventiva”, que já durava cerca de 10 meses, sendo que a própria demora na conclusão de uma perícia foi atribuída à morosidade do estado e não a atos do acusado. Ainda de acordo com a decisão, ficou constatado que a motocicleta da vítima estava com a família, sem autorização judicial, o que também impactou na condução da perícia e do processo.
O empresário Igor Sauceda, de 27 anos, acusado de atropelar e matar o motociclista Pedro Kaique Figueiredo, de 21 anos, na Zona Sul de São Paulo em 29 de julho, se tornou réu em agosto do ano passado por homicídio doloso triplamente qualificado.
Vídeos de câmeras de segurança mostram o momento que o Porsche conduzido por Sauceda bate contra a moto em alta velocidade.
Pedro Kaique foi atropelado e chegou a ser levado para um hospital após a batida, mas não resistiu. O caso inicialmente foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar mas, depois, foi convertido em homicídio doloso, quando o autor assume o risco de matar.
Igor Sauceda, após a batida, permaneceu no local e foi levado para a delegacia durante a madrugada para o registro do caso. Foi realizado exame de bafômetro e não foi constatado o consumo de álcool pelo motorista.
Tanto a defesa de Igor quanto os advogados que representam a família da vítima afirmam que a dupla teve um confronto naquela mesma avenida instantes antes da batida.
Pedro teria quebrado o retrovisor do carro de Igor, o que deu início a um desentendimento. A defesa do motociclista afirmou para O GLOBO que, durante a noite, o rapaz trabalhava como entregador de comida e, naquele momento, retornava da jornada de trabalho para casa. Durante o dia, o rapaz ajudava o pai dirigindo uma van de transporte escolar.
Na visão da família do motociclista, o atropelamento foi intencional. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o Porsche colide contra a motocicleta. A defesa de Igor Sauceda, no entanto, refuta a tese.
Outro vídeo, gravado por um passageiro de um caminhão que circulava na Avenida Interlagos, mostrou os instantes seguintes após a batida. A filmagem mostra o momento em que Igor Sauceda desce do carro e é confrontado pelo homem, que grava com o celular. “Você matou o cara por causa do retrovisor?”, questiona o homem. Na sequência, Sauceda nega e diz que o motociclista “o fechou”.
O empresário de 27 anos de idade atua no ramo de bares na capital paulista. Ele aparece como um dos sócios do Beco do Espeto, bar conhecido por levar shows de artistas de funk, DJs, sambistas e pagodeiros para a Rua Soares de Barros, uma pequena via localizada no Itaim Bibi, próxima do cruzamento da Avenida Presidente Juscelino Kubitschek com a Avenida Brigadeiro Faria Lima, no coração financeiro da cidade.

