Mesmo com a virada por 4 a 2 sobre o Ulsan HD-COR, Renato Gaúcho saiu insatisfeito com a falta de atenção do Fluminense após abrir o placar. Mas a queda de desempenho não se deve apenas à postura dos jogadores — o próprio treinador teve acertos e erros ao longo da partida. No fim das contas, a entrada de Keno no segundo tempo representou um alívio não só dentro de campo, mas também à beira dele.
Após uma atuação dominante no empate sem gols com o Borussia Dortmund-ALE, Renato decidiu fazer cinco mudanças no time titular (Guga, Cano, Fuentes, Ganso e Serna) para enfrentar os sul-coreanos. Diferentemente da estreia, o tricolor entrou como favorito, o que aumentou inevitavelmente a pressão pela vitória. Na tentativa de tirar proveito desse protagonismo, o técnico acabou exagerando nas alterações — especialmente ao mexer na formação de um meio-campo que havia sido soberano contra os alemães.
A saída de Nonato abriu espaço para Ganso, que ainda busca seu melhor ritmo em 2025 após ficar fora da pré-temporada por conta de uma miocardite — inflamação no músculo do coração. Conhecido pela qualidade técnica na armação de jogadas, o camisa 10 quase marcou no início da partida, mas voltou a decepcionar na questão da intensidade, o que resultou em perdas de posse de bola. Uma delas, inclusive, originou o contra-ataque que culminou no gol de empate do Ulsan ainda no primeiro tempo.
Depois de falhar na tentativa de abafar com Cano e Everaldo na dupla de ataque, Renato perdeu o controle do meio-campo. Consertou o erro ao recuar Nonato para o setor, em posição mais avançada. Antes disso, fez a principal mudança da partida: colocou Keno no lugar de Serna.
Sem atuar havia quase 40 dias — por conta de um controle de carga devido a dores no músculo adutor da coxa direita — e com apenas 18 jogos no ano, o “Kenaldinho”, como é chamado pela torcida tricolor, mostrou por que Renato o considerava o único jogador do elenco com capacidade de “um contra um” antes da chegada de Soteldo. Desde que entrou, aos 14 minutos do segundo tempo, o camisa 11 entregou o que Serna e Canobbio têm deixado a desejar ao longo da temporada: dribles que quebram linhas de marcação. Se os problemas físicos não persistirem, a solução para o lado esquerdo do ataque pode estar justamente em uma possível retomada da titularidade por parte dele.
Se as substituições surtiram efeitos tanto positivos quanto negativos, Renato leva lições de um Fluminense mais calejado para o restante da Copa do Mundo de Clubes. A próxima prova será contra o Mamelodi Sundowns-AFS, nesta quarta-feira (25), às 16h (de Brasília), no Hard Rock Stadium, em Miami.