Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para comandar o banco central dos Estados Unidos, afirmou que o Federal Reserve precisa de uma nova estrutura para lidar com a inflação persistente, sem oferecer mais detalhes.
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No início de seu depoimento, Warsh culpou o Fed por permitir que a inflação disparasse após a pandemia de Covid-19 e disse que os preços elevados continuam sendo um problema para os americanos.
— Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era há alguns anos, os americanos trabalhadores sem dúvida ainda a sentem — disse Warsh nesta terça-feira, durante audiência no Comitê Bancário do Senado.
E acrescentou:
— Acho que isso significa uma mudança de regime na condução da política monetária. Acho que isso significa um novo e diferente arcabouço para a inflação.
Warsh não explicou, no entanto, o que isso significaria para os juros.
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Pressão de Trump sobre o Fed
Warsh concentrou boa parte de sua declaração inicial na importância da independência da instituição. Cresceram recentemente as preocupações sobre a capacidade futura do Fed de definir juros sem influência de Trump, que há meses pressiona autoridades monetárias a reduzir agressivamente as taxas.
No início deste ano, o atual chair, Jerome Powell, divulgou um vídeo afirmando que o Departamento de Justiça investigava se ele mentiu durante uma audiência no Congresso no ano passado. Powell classificou os motivos da investigação como pretextos e disse que ela ocorria porque o Fed não havia reduzido os juros o suficiente.
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Os comentários de Trump, sua tentativa de demitir a diretora Lisa Cook e a investigação do Departamento de Justiça sobre o Fed aumentaram os temores de que Trump exerça influência sobre o novo presidente da instituição e que essa pessoa pressione o restante do banco central a cortar juros mais do que faria em condições normais.
Sem atuação de ‘fantoche’
Ainda na manhã de terça-feira, disse que ficaria decepcionado se Warsh não cortasse os juros assim que assumisse o cargo. O senador democrata questionou Warsh sobre essa pressão e sobre como lidaria com ela.
— Presidentes tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante pública — afirmou. — A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer.
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Warsh disse que atuará “de forma independente à frente do Federal Reserve”. E, ao ser perguntado pelo senador John Kennedy, da Louisiana, se atuaria como um “fantoche” do presidente dos EUA, ele respondeu que “absolutamente não”.
Warsh acrescentou que o presidente Donald Trump jamais lhe pediu qualquer compromisso em relação a decisões sobre juros.
Dirigente mais rico
O Fed tem protegido cuidadosamente sua independência nas últimas décadas. Pesquisas econômicas mostram que países cujos bancos centrais operam sem interferência de políticos ou de ciclos eleitorais tendem a ter preços mais estáveis e melhores resultados econômicos.
Questionado pela senadora Elizabeth Warren, também democrata, se Trump havia perdido a eleição presidencial de 2020, Warsh evitou responder diretamente, dizendo que o Congresso certificou Joe Biden como presidente após aquela votação.
Warsh enfatizou ainda que venderá quaisquer ativos não divulgados antes de tomar posse como presidente do Fed.
Ele e a esposa, Jane Lauder, declararam ativos avaliados em pelo menos US$ 192 milhões em documentos financeiros apresentados como o processo que faz parte de sua nomeação. No entanto, seu patrimônio líquido total provavelmente é muito maior, o que o tornaria um dos dirigentes mais ricos da história do banco central americano.

