Neste domingo, em um ensaio para a Canal do Extra, Taís Araújo surgiu com uma lace curta, mostrando a versatilidade e o poder de escolha das mulheres negras quando o assunto é cabelo. Mas se as laces aparecem cada vez mais nas redes sociais das celebridades, os valores que envolvem essas peças também chamam atenção. Com preços que podem variar de R$ 2 mil a impressionantes R$ 40 mil, as perucas de alta qualidade se consolidaram no mercado como símbolos de liberdade estética e autoestima. Entre as referências do universo das laces estão Brunna Gonçalves e Ludmilla, que utilizam essas peças para transformar o visual sem comprometer os fios naturais.
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Enquanto Brunna destaca o aspecto simbólico e emocional das laces, Taís reforça a dimensão de resistência e identidade que esses acessórios carregam. Em entrevista à revista Ela, Brunna Gonçalves revelou que a lace mais cara que já adquiriu custou R$ 30 mil. Para ela, o valor vai muito além do preço: representa escolha, autonomia e expressão.
— Para mim, a lace sempre representou liberdade. A liberdade de escolher, de me reinventar, de mudar de estilo sempre que eu quiser, sem abrir mão da minha identidade. E o mais bonito é ver como esse mercado se tornou mais democrático — destaca a esposa de Ludmilla.
— Antes era algo distante, difícil de encontrar e com preços inacessíveis para muitas mulheres. Agora a gente vê cada vez mais lugares oferecendo laces de diferentes valores, com qualidade muito boa, o que faz com que mais pessoas tenham acesso. Para nós, mulheres negras, isso é muito importante: não é sobre precisar da lace para ser bonita, mas sobre ter o direito de escolher como queremos nos expressar. É autoestima, é poder de decisão, é se sentir livre para ser muitas sem deixar de ser uma só — acrescentou.
O debate sobre cabelos e identidade vai além da estética. Taís Araújo reforçou essa perspectiva em entrevista à Canal: “Antigamente, usar peruca era motivo de vergonha. Nós, mulheres negras, rompemos com isso. Podemos ter o cabelo que a gente quiser. Modificar é liberdade. Se um dia eu quiser estar com o meu black, vou estar. Assim como se eu quiser colocar uma lace lisa até a cintura. Não é o outro que vai determinar. Ninguém é meu dono. Não dou abertura para julgarem as minhas escolhas!”
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Para a atriz, a questão capilar carrega ainda uma dimensão social e histórica: “O nosso cabelo diz muita coisa sobre como a sociedade foi formada e como ela vê a população preta. Esse debate também mostra como os pretos foram taxados durante muitos anos. Como se alguém mandasse na gente” pondera, mostrando como a escolha de um penteado ou lace pode ser um ato de afirmação e resistência.
O valor das laces depende da técnica, do material e do comprimento. Segundo Gurgel do Amaral, cabeleireiro e presidente da Associação dos Cabeleireiros do Estado do Ceará (ACEC), a evolução tecnológica mudou completamente o setor.
— Antigamente era mais artesanal, né? Não tinha a técnica de hoje. Era mais difícil camuflar e até de colocar a peruca. Hoje em dia já existe o implante fio a fio, que imita melhor o couro cabeludo. Então, dependendo do modo de fabricação, a diferença é enorme — destaca.
Ele explica ainda que as perucas atuais exigem mais investimento porque são perfeitas. — Você coloca de uma maneira que ninguém percebe, diferente de antes, quando era complicado esconder. Antes usava-se queratina ou presilhas; hoje não se usa mais. Agora é só fita adesiva ou, em alguns casos, aplicação ponto a ponto — revela.
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A faixa de preço é ampla. — Quando você compra uma peruca simples, pode gastar a partir de R$ 2 mil. Mas existem modelos que chegam a R$ 30 mil ou R$ 40 mil. Depende muito do material usado — vai do kanekalon até o cabelo humano e também do comprimento. Quanto maior e mais natural, mais caro fica — explica Gurgel.
O mercado das laces, contudo, não é apenas sobre preço e técnica. A especialista em marketing e sócia do Bioma Salon Essência, Scarlett Prado, acrescenta que muitas pessoas recorrem às laces por questões de saúde, como alopecia, câncer ou leucemia, além do uso estético.
— Para muitas mulheres, a peça funciona como alternativa para recuperar a autoestima e disfarçar a ausência dos fios, mas também é uma ferramenta de expressão de estilo e personalidade — pontua.
Felipe Cavina, responsável pelas laces de famosas como Anitta, Luísa Sonza, Gloria Groove e Pocah, já acompanhava e impulsionava a tendência das perucas personalizadas muito antes de ela se tornar popular. — Cada exemplar é único, feito especialmente para a cabeça da pessoa — afirmou em 2022, em entrevista à Ela.
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O paulista de Assis, que iniciou sua carreira criando uma drag queen chamada Halessia, hoje comanda a marca Rocker Front & Full Laces, produzindo peças que vão de R$ 2 mil a mais de R$ 30 mil, todas feitas com cabelo humano de alta qualidade.