É justamente no menor banheiro da casa que a decoração costuma encontrar mais liberdade para ousar. Sem chuveiro e com menos exigências de uso cotidiano, o lavabo se tornou um espaço para experimentar cores, revestimentos, iluminação e peças de design. Essa vocação para surpreender, porém, vem de longe. Na Europa do século XVIII, o chamado powder room era um pequeno ambiente reservado a retoques no penteado e na maquiagem. Com a evolução dos hábitos domésticos e das formas de receber, o espaço incorporou funções sanitárias e assumiu o papel de banheiro social.
Hoje, o lavabo preserva a tradição de acolher bem, mas conquistou um lugar de destaque nos projetos residenciais. Mais do que a versão compacta de um banheiro, tornou-se uma espécie de laboratório criativo para arquitetos e designers, que encontram ali a oportunidade de explorar materiais inusitados e combinações que talvez não tivessem espaço nos demais ambientes da casa.
Em poucos metros quadrados, quase tudo é permitido: papéis de parede estampados, pedras naturais, metais coloridos e cubas esculturais. A ideia é transformar um espaço funcional em uma experiência que também traduza a personalidade dos moradores.
Essa valorização ajudou o lavabo a deixar de ser exclusividade dos imóveis de alto padrão e conquistar espaço também nas unidades de médio padrão. Muitas incorporadoras já oferecem plantas flexíveis, que permitem ao futuro morador converter o banheiro de serviço em lavabo.
A arquiteta Dani Riley, sócia do escritório Rippa Arquitetura, observa que a mudança acompanha uma tendência nos projetos residenciais: fazer outro uso do banheiro de serviço, ampliando a funcionalidade do imóvel e atendendo às necessidades das famílias.
— Nestes casos, é comum as pessoas optarem pelo lavabo para poder receber as visitas sem precisar que elas usem o banheiro principal. Às vezes, o próprio book do residencial já mostra como ficará o apartamento se o banheiro de serviço ceder espaço a um ambiente social — diz.
FUNCIONALIDADE
Mariana Messina, arquiteta da Canopus, incorporadora que oferece unidades com lavabo no Be Península, na Barra da Tijuca, e no ARQ Life Design, em Botafogo, observa que o ambiente é cada vez mais valorizado, sobretudo pelo público de médio e alto padrões. A busca não se limita ao conforto: envolve também funcionalidade e privacidade na organização dos espaços.
— Em apartamentos compactos de até dois quartos, o lavabo representa um diferencial importante, principalmente quando não há um banheiro social independente. Já nos imóveis de três ou mais quartos, sua presença é praticamente um requisito, pois está diretamente relacionada à experiência de receber bem e à preservação da área íntima da residência — observa ela.
Apesar das dimensões reduzidas, o lavabo tem espaço de sobra para a criatividade. Entre as tendências estão papéis de parede com estampas florais ou motivos orientais, espelhos de molduras trabalhadas e cubas e torneiras de inspiração retrô, que emprestam um ar vintage ao banheiro social.
Com tantas possibilidades, o ambiente se tornou um dos poucos da casa em que os arquitetos podem ousar sem comprometer a sensação de conforto e atemporalidade que orienta os demais espaços. Para que o resultado funcione, no entanto, o segredo está no planejamento, afirma a arquiteta Natália Lemos, do Pura Por Artefacto, residencial localizado no bairro planejado Ilha Pura, na Barra da Tijuca.
— É importante pensar na localização e nas dimensões do lavabo desde o início do projeto. A escolha de uma porta bem posicionada, uma boa iluminação e materiais que tragam continuidade visual também ajuda a fazer com que o lavabo se integre à arquitetura, sem parecer um espaço improvisado ou que prejudica a sala — conclui.
Lavabos: pequenos no tamanho, grandes na ousadia
