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Falando ao canal de notícias Russia24, Lavrov reiterou que encontros como o proposto por Trump precisam ser preparados com “o maior cuidado”, envolvendo contatos prévios entre todos os governos envolvidos. Ele evitou confirmar ou rejeitar um encontro entre Putin e Zelensky, mas se disse preocupado em evitar que a reunião se torne um circo midiático.
— Não rejeitamos nenhuma forma de trabalho, nem bilateral nem trilateral. O presidente russo, Vladimir Putin, tem falado repetidamente sobre isso — disse Lavrov. — O importante é que, qualquer que seja o formato de encontro multilateral, ele não seja escolhido apenas para ser publicado nos jornais na manhã seguinte, nas TVs à noite ou servir para fofocas em redes sociais. Sempre apoiaremos uma abordagem séria.
Na véspera, Trump e Putin conversaram por cerca de 40 minutos, em paralelo à reunião com líderes da Ucrânia e de outras nações europeias na Casa Branca. Segundo o presidente americano, foi levantada, mais uma vez, a possibilidade de uma reunião com Zelensky, na qual seriam abordados temas sensíveis, como a cessão de territórios ucranianos a Moscou e, em segundo plano, uma pausa nos combates.
Enquanto Kiev diz concordar com qualquer modelo de diálogo, de forma incondicional, Moscou não tem a mesma pressa. À Russia24, Lavrov disse que Zelensky deveria revogar leis que a Rússia considera discriminatórias contra os russos étnicos na Ucrânia, sem especificar se isso é uma pré-condição para a reunião.
— Ninguém diz que, antes de iniciar as negociações, seria uma boa ideia que essa pessoa [Zelensky] revogasse essas leis. Pelo menos porque existe a Carta da ONU, que afirma que é necessário garantir o respeito aos direitos humanos, independentemente de raça, gênero, língua ou religião — afirmou Lavrov, se referindo a uma legislação em vigor desde janeiro de 2022 que estabelece o ucraniano como o idioma oficial do país.
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Segundo Lavrov, a proteção da minoria étnica russa na Ucrânia foi uma das motivações principais para a invasão do país vizinho, e não a anexação de territórios.
— Nunca falamos sobre a necessidade de tomar quaisquer territórios. Nem a Crimeia, nem o Donbass, nem a Nova Rússia (região histórica na Ucrânia citada por nacionalistas russos), como territórios, jamais foram nosso objetivo — disse o chanceler. — Nosso objetivo era proteger o povo russo que viveu nessas terras por séculos, descobriu essas terras e derramou sangue por elas. Tanto na Crimeia quanto no Donbass, cidades foram criadas, Odessa, Nikolaev e muitas outras, portos, fábricas e usinas.
O argumento foi usado inúmeras vezes no passado, em especial em 2014, quando Moscou anexou a Crimeia e apoiou milícias pró-Rússia no Donbass, região de maioria russa no leste ucraniano. Na entrevista, ele alegou que esse tipo de demanda da Rússia — tratada como “interesses de segurança” — é frequentemente ignorada nas discussões envolvendo representantes americanos e europeus sobre a guerra.
— Até hoje, uma atitude arrogante em relação ao direito internacional, em relação às promessas frequentemente falsas e garantidas no papel, pode ser sentida na abordagem desses cidadãos (líderes europeus) à atual crise ucraniana — disse. — Sem respeito pelos interesses de segurança da Rússia, sem pleno respeito pelos direitos dos russos e dos russófonos que vivem na Ucrânia, não se pode falar em acordos de longo prazo, pois essas são as razões que devem ser eliminadas urgentemente no contexto de um acordo.
Em mais uma crítica à Europa, ele afirmou que as alegações de que a Rússia atacou a Ucrânia sem motivos ou sem uma provocação clara “não passam de balbucios infantis”,
— Eles continuam exigindo um cessar-fogo imediato. Alguns deles, como o chanceler alemão, Friedrich Merz, continuam a dizer que é necessário “pressionar” a Rússia com sanções. Nenhum desses “cavalheiros” sequer mencionou a expressão “direitos humanos” — declarou Lavrov.
Mas nem tudo foram nuvens carregadas na entrevista. Ele reiterou o convite feito por Putin para que Trump visite a Rússia em breve, confirmou que os russos pagaram em espécie pelo combustível usado pelas aeronaves no Alasca, e disse que seu moletom com a sigla, em russo, da União Soviética agradou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
— Sem histeria, eles simplesmente disseram que gostaram da roupa — revelou Lavrov, que iniciou a carreira diplomática ainda nos anos soviéticos. — Temos muitos itens que reproduzem símbolos soviéticos, e não vejo nada de vergonhoso nisso. Faz parte da nossa vida, da nossa história, é a nossa pátria, que agora assumiu a forma da Federação Russa e é cercada por ex-repúblicas soviéticas, países amigos nossos.