Sergei Tikhanovsky, considerado o principal nome da oposição na Bielorrússia, foi libertado da prisão neste sábado após receber um perdão do presidente Alexander Lukashenko. A libertação, confirmada pelo grupo de direitos humanos Viasna, ocorre após mais de cinco anos de detenção e faz parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos e pela Lituânia.
- Último ditador da Europa: Lukashenko é reeleito presidente da Bielorrússia pela sétima vez com quase 90% dos votos
- Aliado do Kremlin: Ucrânia acusa Bielorrússia de aumentar contingente militar na fronteira entre os dois países
Tikhanovsky, de 46 anos, foi preso em 2020 enquanto se preparava para disputar as eleições presidenciais contra Lukashenko, no poder desde 1994. Sua esposa, Svetlana Tikhanovskaya, assumiu sua candidatura em seu lugar, tornando-se o principal rosto da oposição. Após o pleito, marcado por denúncias de fraude e repressão, ela se exilou na Lituânia.
A libertação de Tikhanovsky, junto com outros 13 prisioneiros políticos, foi possível graças a uma articulação diplomática que envolveu o enviado especial dos EUA, Keith Kellogg. Segundo o governo lituano, todos os libertados foram levados ao país e estão agora em liberdade.
“Ainda não terminamos”, escreveu Tikhanovskaya na plataforma X, pedindo a libertação de outros 1.150 presos políticos mantidos em prisões bielorrussas.
- Entenda: Bielorrússia suspende participação no tratado europeu de redução de armas
A ação contou com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem Tikhanovskaya agradeceu publicamente, além de “aliados europeus”.
“LIVRE”, escreveu a opositora em vídeo divulgado nas redes sociais, no qual aparece abraçada ao marido recém-libertado, sorridente e com a cabeça raspada.
Em declaração oficial, a porta-voz da presidência bielorrussa, Natalya Eismont, afirmou que o perdão concedido por Lukashenko atendeu a um pedido dos EUA e foi motivado por “considerações humanitárias, com o objetivo de reunir a família”. Ela também classificou os libertados como condenados por “atividades extremistas e terroristas”.
Entre os 14 libertados estão cinco cidadãos bielorrussos, três poloneses, dois letões, dois japoneses, um estoniano e um sueco. A lista inclui o jornalista Ihar Karnei, ex-colaborador da Radio Free Europe/Radio Liberty (RFE/RL).
— Agradecemos ao secretário [de Estado americano] Rubio e sua equipe, ao governo lituano e à comunidade internacional pelo apoio aos nossos jornalistas presos — declarou o presidente da RFE/RL, Stephen Capus.
O gesto do regime bielorrusso foi celebrado por líderes europeus. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a libertação representa “uma notícia fantástica e um poderoso símbolo de esperança para todos os presos políticos que sofrem sob o regime brutal de Lukashenko”. Já o chanceler da Polônia, Radoslaw Sikorski, escreveu: “O mundo livre precisa de você, Siarhei!”, em referência à forma bielorrussa do nome Sergei.
Em 2021, Sergei Tikhanovsky — então com 43 anos e conhecido por manter um canal de vídeos na internet — foi condenado a 18 anos de prisão por “organizar distúrbios em massa” e “incitar o ódio social”, além de mais 18 meses por “insubordinação”. Seus apoiadores afirmam que as acusações foram forjadas com motivação política. Para sua esposa, o julgamento foi uma “vingança política”.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/O/t/Xv9b8DSAKS6nU66Yelrg/111489914-files-belarusian-opposition-leader-svetlana-tikhanovskaya-holds-a-picture-of-her-husba.jpg)
A libertação acontece em meio a sinais de reaproximação cautelosa entre Minsk e o Ocidente. Segundo a agência estatal bielorrussa Belta, Kellogg se reuniu pessoalmente com Lukashenko no início desta semana, no primeiro encontro entre um alto funcionário da Casa Branca e o líder bielorrusso em mais de cinco anos.
Um vídeo divulgado pelo vice de Kellogg, John Coale, confirma que “o presidente Trump incentivou esta viagem”. Segundo a agência de notícias americana Reuters, a missão do enviado especial seria também uma tentativa de abrir espaço para negociações de paz envolvendo a guerra entre Rússia e Ucrânia, na qual Lukashenko tem apoiado o Kremlin.
O regime de Lukashenko, considerado o último ditador da Europa, segue reprimindo duramente a oposição. Todos os movimentos opositores estão proibidos, e mais de mil presos políticos continuam detidos, segundo dados do Viasna. A Bielorrússia é o único país europeu que ainda aplica a pena de morte.