Líderes de países árabes e de maioria muçulmana pediram nesta segunda-feira uma revisão de todos os laços econômicos e diplomáticos com Israel, durante uma reunião de emergência convocada pelo Catar após o ataque lançado pelo Estado judeu contra líderes do grupo terrorista Hamas, reunidos em Doha na semana passada. Um esboço da declaração final ao qual a agência de notícias AFP teve acesso incluiu o pedido de revisão ampla.
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“[Pede-se] a todos os Estados que tomem todas as medidas legais e eficazes possíveis para impedir que Israel continue suas ações contra o povo palestino, incluindo (…) a revisão das relações diplomáticas e econômicas com o país e o início de processos judiciais contra ele”, diz o texto.
O emirado catari convocou uma cúpula conjunta da Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) em busca de aumentar a pressão sobre Israel, após o bombardeio contra a capital do país na semana passada. O grupo conta com quase 60 países, que estiveram representados por lideranças como o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas.
O rascunho visto pela AFP também alerta que a “agressão brutal de Israel” coloca em risco os esforços para normalizar as relações entre Israel e os Estados árabes — tanto o Estado judeu quanto os aliados americanos tentam há anos alavancar os laços com países da região, tendo um importante sucesso recentemente por meio dos Acordos de Abraão, que estabeleceram laços com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Marrocos em 2020.
A guerra na Faixa de Gaza e o ataque dentro do território do Catar, violando a soberania de um importante Estado da região — que além de tudo atuava como um importante mediador nos diálogos indiretos entre Hamas e Israel — enterraram diálogos de normalização que estavam em andamento.
O pesquisador saudita Aziz Algashian, especializado em relações internacionais no Oriente Médio, afirmou que “muita gente está olhando para ações, não só retórica”, com relação aos encontros em Doha — uma reunião extraordinária do Conselho de Cooperação do Golfo também será realizada nesta segunda-feira.
— Já esgotamos todas as formas de retórica. Agora terão que ser ações, e veremos quais serão essas ações — disse Algashian antes do início da reunião.
Um dos assuntos em pauta na reunião também foi o conceito de segurança coletiva entre os Estados da região. A declaração revisada pela AFP fala sobre a “necessidade de alinhamento conjunto para enfrentar desafios e ameaças comuns”.
Ao abandonar o papel de mediador do conflito em Gaza, o Catar adotou uma narrativa abertamente crítica a Israel. No fim de semana, o primeiro-ministro Mohammed bin Abdulrahman al-Thani disse em uma reunião preparatória que era hora “de a comunidade internacional parar de usar dois pesos e duas medidas e punir Israel por todos os crimes que comete”.
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O emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, acusou o ataque israelense da semana passada de ser uma ação direta para prejudicar as negociações sobre o fim da guerra em Gaza. A liderança catari também afirmou aos demais chefes de governo presentes em Doha que o objetivo de Israel é que transformar o mundo árabe em uma zona de influência israelense.
Israel afirma que o ataque em Doha foi uma ação legítima, mirando alvos que considera terrorista. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu voltou a assumir total responsabilidade pelo bombardeio nesta segunda-feira, durante uma reunião em Jerusalém com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Enquanto isso, os EUA tentam calibrar a retórica sobre o ataque israelense. A preocupação em Washington é adotar uma linha que não enfraqueça a posição e as demandas israelenses quanto à guerra em Gaza, ao mesmo tempo que preserve a boa relação com Doha. (Com AFP)