Na noite mais fashion do ano, onde os olhos do mundo se voltam para os looks extravagantes e conceituais do Met Gala, bastou um detalhe para que a internet explodisse em especulações. Lisa, integrante do grupo de K-pop Blackpink, virou alvo de uma teoria improvável — e, como foi confirmado depois, totalmente equivocada: a de que estaria usando uma peça íntima com o rosto da ativista Rosa Parks estampado.
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Mas não, Lisa não usou a imagem de uma das figuras mais importantes da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos em uma parte íntima do seu traje. A informação foi desmentida nesta quarta-feira (7) por um representante de Henry Taylor, artista responsável pelas imagens que estampavam o look da cantora, em nota enviada à revista Vulture. A apuração inicial é da Entertainment Weekly, que entrou em contato com representantes de Lisa, Pharrell Williams e Taylor.
“A figura retratada no look Louis Vuitton de Lisa não é Rosa Parks, mas uma das vizinhas de Henry”, afirmou o porta-voz do artista. “Os rostos vistos neste look, assim como em peças anteriores da LV com obras de arte de Taylor, são todos inspirados em sua vida pessoal — familiares, amigos e vizinhos.”
Lisa marcou presença no Met Gala 2025 — realizado como sempre na primeira segunda-feira de maio no Metropolitan Museum of Art, em Nova York — com um body preto rendado e bordado com rostos em destaque. A peça fazia parte da coleção de estreia de Pharrell Williams como diretor criativo de moda masculina da Louis Vuitton, lançada em 2023, e resultou de uma colaboração com Henry Taylor.
O tema deste ano, inspirado no livro “Slaves to Fashion: Black Dandyism and the Styling of Black Diasporic Identity”, da professora Monica L. Miller, incentivava os convidados a explorar o dandismo negro como ferramenta de expressão estética e resistência política. Um terreno fértil para experimentações visuais — e, como visto no caso de Lisa, também para mal-entendidos.
Ao circular nas redes sociais, o look da artista foi rapidamente interpretado por alguns como uma suposta “falta de respeito” à figura histórica de Rosa Parks. Um dos rostos bordados, posicionado na região da virilha, foi identificado erroneamente como sendo o da ativista. Bastaram alguns tuítes para a acusação ganhar tração:
“Por que Lisa tem Rosa Parks nas calças? 😭😭 uma das mulheres históricas que lutaram contra o racismo.”
“A Lisa usando calcinha com a cara da Rosa Parks, meu Deussssssss.”
A indignação se espalhou. Seguidores nas redes começaram a criticar a suposta apropriação e desrespeito à memória de Parks — apesar de, como se confirmou depois, essa conexão nunca ter existido.
O boato foi tão longe que internautas chegaram a defender a artista de ataques infundados. Alguns tentaram explicar que os rostos no body não eram reconhecíveis, nem intencionalmente posicionados de maneira ofensiva. Outros apontaram que, mesmo que Rosa Parks estivesse ali — o que, reforçando, não está —, decisões de styling em um evento como o Met Gala dificilmente são tomadas de forma isolada por uma celebridade.
“Eu acho que vocês problematizam umas coisas nada a ver… esse padrão tá em todo o casaco e body dela. Não é como se ela tivesse enfiado a Rosa Parks no meio da bunda.”
“É frustrante ver como as pessoas são rápidas para odiar a Lisa com base em desinformação. A história de que ela usou calcinha com Rosa Parks é completamente falsa.”
“Já faz um tempo que estou rindo muito do tweet dos fãs da Rosa Parks e do fato de Lisa ter usado calcinha da Rosa Parks, tipo, em que momento você achou que era uma boa ideia?”
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A comoção gerada em torno do boato reacendeu o interesse pelo legado de Rosa Parks, o que, mesmo diante da confusão, não deixa de ser um ponto positivo. Parks foi uma costureira afro-americana que, em 1955, recusou-se a ceder seu assento a um homem branco em um ônibus segregado em Montgomery, Alabama.
Sua prisão deu início ao Boicote aos Ônibus de Montgomery, movimento liderado por Martin Luther King Jr. que desafiou as leis segregacionistas conhecidas como Jim Crow.
Apesar da repercussão, Parks pagou um preço alto por sua coragem: perdeu o emprego, sofreu ameaças e teve que se mudar para Detroit. Mesmo assim, seguiu na luta pelos direitos civis e, ao longo da vida, tornou-se um símbolo global da resistência negra. Recebeu diversas homenagens, incluindo a Medalha de Ouro do Congresso dos EUA em 1999.

