Uma foto de duas crianças indígenas da terra Yanomami, de Sebastião Salgado (1944-2025), numa página com o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos (“todos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”), dá o tom do livro “Criança Esperança: 40 anos transformando sonhos em futuro”, lançado nesta quinta-feira (4) no Gexperience, casa de experiência Globo no AquaRio, na Zona Portuária, que ganhou um espaço totalmente dedicado ao projeto. Foi lançado também um selo comemorativo dos Correios em homenagem ao aniversário da iniciativa, abraçada desde seu primeiro ano pelo jornalista Roberto Marinho, como lembrado por José Roberto Marinho, vice-presidente do Grupo Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho.
— Quando O GLOBO foi fundado, os jornais eram todos elitistas — disse José Roberto, sobre o diário criado pelo avô, Irineu Marinho, há exatos cem anos. — O GLOBO surgiu voltado para a classe média e para todo mundo. Sempre gostamos de prestar serviço e estar atentos a diversas questões. O Criança Esperança está muito ligado ao propósito do meu pai e da minha família e de todas as estratégias possíveis de comunicação para combater as desigualdades que assolam o nosso país, embora os números estejam melhorando.
Em 40 anos, o Criança Esperança ajudou na formação de cinco milhões de crianças e jovens espalhados pelo Brasil. O livro, com capa do artista plástico Vik Muniz e edição do designer Gringo Cardia, é uma forma de documentar, com um viés artístico, as transformações sociais promovidas pelo programa, reconhecido por nove entre cada dez brasileiros segundo uma pesquisa feita pela Globo.
— O Criança Esperança é o nosso projeto de maior visibilidade — disse Cristovam Ferrara, diretor de Valor Social da Globo. —São 40 anos de histórias, com força de transformação e personagens por trás muito simbólicos para o país, como o Renato Aragão e a Xuxa. Tem uma força muito grande no Criança Esperança que é convocar o Brasil a se engajar conosco.
Essas convocações ajudaram na sobrevivência de projetos como o Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, no Cariri cearense, frequentado por Samuel Macedo dos 8 aos 27 anos. Hoje, ele tem 40 e é fotógrafo profissional, autor do projeto “Infâncias”, com dois livros publicados, que o levou a ser chamado para participar do livro como um dos artistas convidados a fotografar iniciativas pelo Brasil. Uma grata coincidência porque ninguém sabia, de antemão, que Samuel só havia se tornado fotógrafo graças ao apoio que a Casa Grande recebeu do Criança Esperança.
— Depois que o trabalho estava feito, me pediram um relato de viagem e eu escrevi sobre como foi impactante. Eu me vi naquelas imagens. Viajei para encontrar essas crianças e acabei encontrando comigo mesmo — disse Samuel, que participou do programa da TV, no fim de outubro.
Não foi fácil selecionar o que colocar nas 259 páginas, mas Marlova Noleto, diretora e representante da Unesco no Brasil, entende que isso é sinal de que estão no caminho certo.
— É muito bom ver que tem tanto material, fartura, porque o Criança Esperança realmente impacta vidas. A gente pode escolher histórias muito bonitas, convidar personagens incríveis, que fazer essa obra de arte que é um testemunho desses primeiros 40 anos.
