A lobista Roberta Luchsinger tem uma série de dívidas na Justiça por calotes. A informação foi revelada por reportagem do Fántastico, da TV Globo, neste domingo. A empresária é alvo de um inquérito que apura se ela praticou tráfico de influência em órgãos públicos em conjunto com o seu amigo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Os dois negam qualquer irregularidade.
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Neta e herdeira de banqueiros, Luchsinger ficou conhecida em 2017 ao anunciar que iria lançar um movimento de apoio financeiro a Lula, que na época era ex-presidente e havia tido as contas bloqueadas pelo então juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Lava-Jato. Na ocasião, ela chegou a divulgar uma doação pessoal de R$ 500 mil ao petista. Em 2018, se candidatou a deputada estadual pelo PT em São Paulo, mas não se elegeu.
Um dos casos mostrados na reportagem envolve um projeto de filme. A reportagem revelou que, em 2016, Luchsinger e uma sócia de uma produtora apresentaram ao investidor Lauro uma proposta de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani.
O orçamento do projeto previa gastos de US$ 4 milhões de dólares. Esse montante seria coberto por um fundo de investimento do Bahrein. O início das gravações, antes da liberação do montante internacional, levou a necessidade um empréstimo ponte de US$ 300 mil.
Neste contexto, Luchsinger convenceu o investidor a atuar como avalista da operação. Foi oferecido como garantia uma fazenda de sua propriedade em Minas Gerais em troca de participação na bilheteria e comissão de R$ 40 mil.
Entretanto, o aporte estrangeiro não se materializou. As parcelas do empréstimo não foram quitadas e o credor obteve na Justiça a posse da fazenda do avalista, avaliada em R$ 8 milhões.
— O projeto do filme era bonito, uma história que valia a pena vender para investidores. Acabei aceitando a proposta. Tudo o que eu tinha estava lá. Não é a questão da propriedade em si, é o sonho — disse Lauro ao Fantástico.
Calotes em pagamentos
A lista de casos é extensa. reportagem mostra que, em 2011, Luchsinger contratou o tapeceiro Nilton Cezar para reformas em sua residência pelo valor de R$ 61 mil. Houve o pagamento inicial de R$ 25 mil. O saldo restante, entretanto, não foi quitado.
Nilton Cezar foi à Justiça e obteve ganho de causa em todas as instâncias, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acordos celebrados ao longo da execução judicial foram descumpridos.
— A gente tem um baque porque precisa pagar funcionário e aluguel do ponto. Chegamos a vender um carro por causa disso — disse o tapaceiro.
A empresária, então, ofereceu à Justiça uma coleção de 14 gravuras. As peças eram avaliadas por ela em R$ 70 mil, e foram apresentadas como obras originais de Cândido Portinari. A entrega levou oprocesso a ser suspenso.
Porém, a entidade responsável pela autenticação do acervo do artista confirmou que as peças eram reproduções impressas sem valor de originalidade.
O Fantástico apresenta outras ações que somam débitos:
A lobista possui uma dívida de R$ 91 mil referente a mensalidades escolares não pagas da filha ao longo de 2017.
Luchsinger realizou uma compra no valor de R$ 6.124 em 2017 em loja de roupas, cujo valor atualizado pela Justiça ultrapassa R$ 21 mil. Um quadro oferecido pela ré como garantia de R$ 100 mil desapareceu antes do leilão judicial.
A contratação de uma agência de publicidade em 2022 por R$ 42 mil para pré-campanha eleitoral. Apenas R$ 4.200 foram quitados.
Há também processos movidos por uma babá e uma empregada doméstica demitidas sem verbas rescisórias, que somavam R$ 50 mil e prescreveram sem que os valores fossem recebidos.
Despejo em apartamento de luxo
A pobista passou a residir em um apartamento de alto padrão em São Paulo em 2019. O Fantático aponsta que os proprietários do imóvel, um casal de idosos que dependia do aluguel para complementar a renda, moveram ação de despejo em 2020 por inadimplência no pagamento.
A desocupação do imóvel ocorreu quatro anos depois. O proprietário morreu no decorrer da tramitação judicial sem receber os valores. Segundo a reportagem, a dívida acumulada, que chegou a R$ 500 mil, só foi quitada em maio de 2024.
Outro lado
Luchsinger optou por não gravar entrevista ao Fantástico. A lobista enviou ao programa da TV Globo uma relação de números de processos informando quais ações já foram arquivadas pelo Judiciário.
Sobre o caso envolvendo a fazenda em Minas Gerais, ela afirmou ter sido igualmente enganada pelo investidor do projeto e alegou que o proprietário do imóvel tinha ciência dos riscos da operação financeira.

