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setembro 25, 2026
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Lula cita a própria idade e cobra voto de idosos em ato no Rio: 'Desistiu da vida? Levanta a bunda e vai'

Por · setembro 25, 2026
De olho em avanço de Flávio no Rio, Lula faz campanha em São Gonçalo ao lado de Eduardo Paes


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou que pessoas de mais de 70 anos — para quem o voto no país é facultativo — vão às urnas em 4 de outubro. Durante ato em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, o candidato à reeleição pediu que apoiadores convençam os idosos a participarem do processo eleitoral e citou como exemplo a própria idade.
— Se eu, com 80 anos, estou aqui pulando e sou candidato, por que um cara de 70 anos vai dizer ‘ah, não preciso votar’? — destacou o petista no palanque, em sua terceira agenda de campanha no estado.
Um dia após se reunir com artistas na Lapa, Lula esteve acompanhado em São Gonçalo do candidato a governador Eduardo Paes (PSD) e dos postulantes ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD). No discurso, o petista ressaltou que a idade não deve ser um motivo para não ir votar.
— Desistiu da vida? Levanta a bunda e vai votar, meu filho. Se não tem mais motivação pra viver, tem filho, tem filha, tem neto. Levanta a bunda e vai votar. O Brasil precisa de você — disse.
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Em seu discurso, Lula não citou Flavio Bolsonaro nominalmente, mas falou de milícia e dos escândalos de corrupção do Banco Master e do INSS para se referir ao grupo do adversário.
— Da mesma forma que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, não cabe dentro do Palácio do Planalto representação de miliciano. (…) Criaram um banqueiro que fez o maior esquema de corrupção do país  e eu prendi  o  banqueiro deles. Falta muita gente pra ser presa, cada dia a gente vai descobrindo quem participava. Era muito coisa errada muita festa, gente que vinha do estrangeiro  e essa gente tem que ser investigada. Não podemos que a Suprema Corte fique sob suspeita — disse Lula, lembrando ainda o escândalo do INSS: — Estamos lidando com o time que montou uma quadrilha pra roubar q previdência social desse país.
Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira aponta que Flávio Bolsonaro (PL) abriu vantagem no Rio contra o petista e lidera por uma diferença de sete pontos percentuais no primeiro turno e oito, num eventual segundo turno — a dez dias do pleito, os dois candidatos focam em agendas no Sudeste. Enquanto isso, à frente na corrida pelo governo estadual, o ex-prefeito Eduardo Paes vem tentando se equilibrar entre os eleitores que o apoiam e votam em Lula e a fatia do eleitorado fluminense que prefere o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida ao Planalto.
Pesquisa Quaest Rio: Eduardo Paes tem 36%, contra 23% de Douglas Ruas a 11 dias da eleição
O presidente citou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que o Brasil não vai aceitar interferência na eleição e fez um apelo para que os eleitores com mais de 70 anos compareçam aos pontos de votação. Ele disse ainda que, se eleito, o feminicídio será uma de suas prioridades e prometeu novamente acabar com as Bets no país.
— Não é possível que a sociedade brasileira estar endividada até o pescoço. Eu tive reunião com oito pessoas e jamais imaginei que pudesse chegar a tanto. Eu vou acabar com as bets, se preparem — afirmou o petista, criticando ainda o posicionamento dos times de futebol do Brasil favoráveis aos jogos de apostas online e lembrando que todos eles e a seleção brasileira foram campeões antes da criação dos sites de apostas.
Presidente Lula mantém agenda e faz caminhada no Centro de São Gonçalo nesta quinta
Marina Calderon / Agência O Globo
O presidente contou que houve preocupação por parte de sua equipe quando definiram que a caminhada no estado aconteceria em São Gonçalo, pois o município tem como prefeito o Capitão Nelson, pai de Douglas Ruas, principal adversário de Paes na disputa pelo Governo do Estado. Ele pediu votos para o ex-prefeito do Rio e também reforçou a dobradinha entre Benedita e Pedro Paulo ao Senado.
‘O evento é legal, mas estou atrás do voto da massa’, diz Paes
Paes, por sua vez, destacou a questão da segurança em seus discurso, afirmando que 50% da população de São Gonçalo vivem sob o domínio de organizações criminosas e que vai retomar territórios na região, começando pelo Complexo do Salgueiro.
— Essa é a segunda maior cidade do estado e tem quase metade do seu território ocupado pelo crime organizado. Fica essa gente que manda há oito anos no estado e não fez nada querendo culpar o presidente pela responsabilidade deles. Mas nós vamos devolver os territórios para a população de bem — disse Paes, prometendo ainda construir a Linha 3 do Metrô com recursos federais.
A agenda, que chegou a ser cancelada na noite de terça-feira pela ameaça de chuva, foi organizada pelos prefeitos de Niterói, Rodrigo Neves, e de Maricá, Washington Quaquá, vice-presidente do PT. O ato acontece após reclamações dele de que o candidato à reeleição precisava realizar agendas em áreas populares. A expectativa da campanha é de que até 20 mil pessoas marquem presença.
A escolha de São Gonçalo como palco para a caminhada não foi aleatória. Lula perdeu no município na eleição de 2022, quando 55% dos eleitores votaram em Jair Bolsonaro (PL), contra 45% escolheram o petista, e tenta reverter esse cenário em outubro. O município é o segundo maior colégio eleitoral do estado, com 653.494 eleitores aptos a votar, e tem como prefeito Capitão Nelson (PL). Ele é pai do candidato ao governo Douglas Ruas (PL), adversário de Eduardo Paes (PSD), principal palanque fluminense de Lula no Rio. Já Ruas é o nome de Flávio Bolsonaro (PL), que rivaliza com o presidente na corrida pelo Planalto.
Paes não divulgou sua presença na agenda oficial, mas acompanhou o aliado petista. Com Lula atrás de Flávio nas pesquisas no Rio, o ex-prefeito do Rio vem tentando se equilibrar entre o apoio e a rejeição ao presidente no estado.
A agenda foi marcada após críticas públicas de Quaquá à estratégia de campanha de Lula no Rio. Em vídeos nas redes sociais, ele afirmou que Flávio Bolsonaro estava falando de assuntos do dia a dia em seus discursos, enquanto a esquerda tratava de temas complexos e de difícil entendimento, como terras-raras. As afirmações aconteceram ao longo da última semana:
— Não sou contra o evento, mas acho desnecessário. O voto do Chico, Caetano e do nosso pessoal intelectual o Lula já tem. Agora precisamos ganhar o eleitor que não temos, o conservador, evangélico, que quer segurança pública e uma ação mais contundente. Sugiro que ele vá a São Gonçalo falar de retomada da indústria naval, do Comperj em Itaboraí, tratar da retomada de territórios dominados pelo tráfico, fazer uma visita ao Bope. Acho que o caminho está errado, e como não tenho espaço junto à coordenação nacional para dialogar, dou minha opinião publicamente para tentar ajudar o presidente Lula — diz o prefeito de Maricá, cidade vizinha a São Gonçalo.
Um dos idealizadores do evento, o prefeito de Maricá conta que recebeu ligações de quatro pessoas do PT após a repercussão das declarações, inclusive do presidente do partido, Edinho Silva. Segundo ele, as diferenças foram superadas, levando à confirmação do ato de hoje:
— Quaquázinho é igual a criança pequena, só ouvem quando berra e chora. Quatro pessoas do gabinete do presidente me ligaram. O presidente gosta de mim, é igual aquela música do Chico: “Vocês não gostam de mim, mas sua filha gosta”. O Lula gosta de mim, eles não gostam. Mas agora todo mundo se acertou — completa Quaquá.
Eduardo Paes, que não esteve com Lula na Lapa, também não divulgou sua participação na caminhada em sua agenda oficial de campanha. De olho no voto “BolsoPaes”, de eleitores que mesmo apoiando o senador Flávio Bolsonaro para a Presidência escolhem Paes nas urnas, em detrimento do candidato do PL Douglas Ruas, o ex-prefeito do Rio tem feito um verdadeiro malabarismo para manter seu compromisso de aliança com o PT.
A justificativa de Paes para não ter ido ao evento na Lapa é de que já tinha uma agenda marcada em Campos, interior do estado, no mesmo horário. Ele assume, no entanto, que o grupo que se reuniu com o presidente na noite de quarta-feira não é o público alvo de sua campanha:
— Acho o evento é legal, mas estou atrás do voto da massa. Acho importante o Lula ter feito, ele sempre faz um evento para a cultura nas campanhas. E o evento era para ele, não fui convidado para ser homenageado, até porque tinha gente também que vota no PSOL — explicou Paes.

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