Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiram aderir ao hábito de usar chapéu panamá, que o petista tenta tornar um símbolo da sua campanha deste ano. Mas enquanto o chefe do Palácio do Planalto admite que passou a utilizar o adereço, presente até mesmo na foto de urna, por motivos de saúde, pessoas próximas a ele aderiram ao item como forma de demonstrar estar alinhado à imagem do presidente.
Lula tem usado chapéu panamá desde que retirou um câncer de pele, em abril, por recomendação médica. Após o procedimento, ficou com um curativo e fez 15 sessões de radioterapia. O presidente adotou o adereço para evitar sol no local do procedimento. O mandatário tem uma coleção de chapéus e tem usado no Palácio do Planalto, em eventos externos e já gravou peças de campanha com o acessório.
O ex-ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que busca uma vaga ao Senado pelo PSD do Mato Grosso, foi um dos que usaram um chapéu de modelo semelhante no lançamento da sua candidatura no domingo.
— Vou usar em ocasiões especiais, grandes eventos — disse Fávaro.
Tentando uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta (PT-RS) também foi de chapéu a um almoço com ex-prefeitos de Porto Alegre na última semana.
— Usei em homenagem ao presidente — afirmou Pimenta.
Já o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Marcio Macêdo fez uma montagem nas redes sociais para lançar sua candidatura a deputado federal pelo Sergipe com uma série de fotos em que destaca o acessório. Na publicação, ele escreveu: “Com Lula na cabeça e no coração”.
No evento de lançamento da campanha de Lula, na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, os ministros de Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o Secretário de Assuntos Jurídicos, Marcelo Weick, estavam de chapéu. Amigo de Lula e candidato a deputado estadual por São Paulo, Emídio de Souza (PT-SP) também foi ao ato de chapéu.
O Prerrogativas, grupo de juristas que apoiam Lula e é coordenado pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, produziu uma leva do acessório com uma inscrição personalizada ‘Juristas com Lula’, que tem distribuído a apoiadores.
Ao discursar, Lula afirmou que estava usando o chapéu por recomendações médicas, mas que tiraria rapidamente no ato em referência ao público.
— Eu quero dizer que estou de chapéu, primeiro porque eu gosto de chapéu, mas hoje é porque eu fiz radioterapia na cabeça para cuidar de um câncer de pele e não posso tomar sol na cabeça. Mas eu quero dizer para vocês que eu vou ousar (arriscar) a minha saúde e vou tirar o chapéu para todos vocês — afirmou o presidente.
Pela primeira vez em sua carreira política, Lula decidiu posar para a foto que aparece na urna eletrônica para o eleitor de chapéu panamá. O GLOBO mostrou que aliados temem questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até esta segunda-feira, a campanha não havia recebido pedidos de contestações.
Na foto de urna e no evento de lançamento da campanha, Lula usou o adereço da marca Marcatto, de estilo shantung social, indicado para sol e ocasiões diurnas. O adereço é feito de um material conhecido como palha shantung, produto sintético feito de fibra de celulose, considerado leve e macio. No site da marca, a peça é vendida a R$ 289.
É incomum candidatos registrarem fotos de urna com o adereço, mas a campanha levantou outros casos, na hipótese de questionamentos jurídicos. Em 2022, o TSE considerou que boné é adereço cultural de uma pessoa e autorizou que o candidato a deputado federal Douglas Belchior (PT-SP) utilize o item em sua foto de urna.
Na época, o caso chegou ao TSE por meio de um recurso apresentado pela defesa do então candidato. Quando apresentou o seu registro de candidatura, Belchior juntou ao processo uma foto em que aparece ostentando um boné de aba reta. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, no entanto, barrou o uso do chapéu, por entender que se tratava de um mero “elemento cênico”.
Ao analisar o caso, o TSE apontou que em que pese a avaliação feita pelo tribunal regional entre “adorno e indumentária”, o uso do boné pelo candidato, “neste caso específico, não atrapalha a visualização do seu rosto nem dificulta o seu reconhecimento pelo eleitor”, o que atende aos requisitos previstos nas regras das fotografias dos candidatos prevista pela Justiça Eleitoral.

