O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que trata com “muita seriedade” as investigações envolvendo seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Segundo Lula, cabe a ele garantir que as instituições tenham liberdade para trabalhar, e não atuar como juiz, procurador ou delegado.
O presidente voltou a afirmar que ninguém está acima da lei. Lula disse ainda que orienta Lulinha a se defender das acusações e apresentar sua versão dos fatos.
— Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado. Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está (acima da lei) se cometer erro — afirmou Lula em entrevista a Record.
Lula também disse que não interfere no andamento de investigações.
— Meu filho sabe: se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele — completou.
Sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que não obstrui apurações, não ameaça demitir ministros por causa de investigações nem pune delegados responsáveis pelos casos.
— Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se. E todo mundo tem o direito de provar se é inocente. Se isso acontecer, eles serão perdoados. Mas, se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar — disse.
Na entrevista, o presidente afirmou ainda que Lulinha será responsabilizado caso seja comprovado que cometeu alguma irregularidade.
Os inquéritos do qual Lulinha são alvo no Supremo Tribunal Federal apuram se ele praticou tráfico de influência e “abriu as portas” do governo para a empresária Roberta Luchsinger, sua amiga. Ela é sócia de uma consultoria que tentou fazer negócios no Ministério da Saúde e em outros órgãos públicos.
Diálogos entre os dois obtidos pela PF, revelados nesta semana, mostram que eles discutiam negócios em conjunto. Em uma das conversas, em 22 de março de 2024, a empresária diz: “Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe”. O filho do presidente responde em seguida: “Isso. Deixa eles. Trabalho para caralho e nunca dá em nada”.
O filho do presidente ainda responde a outros dois inquéritos no Supremo por supostamente ter atuado com a amiga em outros órgãos do governo, como a Dataprev.
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