O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra aquela que deve ser a sua última campanha eleitoral neste sábado (24), véspera do segundo turno, com ato de rua em São Paulo, após evento similar no Rio de Janeiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário no pleito, não deve passar mais pelo estado antes da votação, mas conta com uma mobilização de aliados políticos em diferentes regiões, capitaneada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Flávio avançou para a segunda rodada em vantagem contra Lula, 47,03% a 45,16% dos votos válidos, diferença que equivale a 2,2 milhões de eleitores no país. Em São Paulo, a discrepância foi maior: 51,93% a 38,20% a favor do candidato do PL, com 3,4 milhões de votos a mais. Estrategistas do PT esperavam pelo menos 40% dos votos válidos para Lula, o que acabou não se confirmando, e o desempenho superior em outras regiões, como o Nordeste, foi insuficiente para alterar o cenário.
Antes de desembarcar na capital paulista, o candidato à reeleição participa de uma caminhada na praia de Copacabana, no Rio, às 9h. Embalada por um empate numérico no Datafolha e por uma mobilização ativa nas redes sociais pelo canal “Exército do Lula”, a campanha espera público recorde nestas eleições. Às 14h, o petista convoca apoiadores para a Avenida Paulista, na altura da Alameda Campinas, próximo ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). No primeiro turno, um imbróglio com a prefeitura de São Paulo obrigou o deslocamento para a Rua Augusta.
De resto, a estratégia é praticamente idêntica. Em razão da proibição de comícios pela Justiça Eleitoral, vigente desde a noite de quinta, como em outros anos, Lula deve fazer discursos breves e interagir com o público de cima de um carro, ornado com a bandeira do Brasil, enquanto os militantes acompanham o passo dos trios elétricos. Ele vota às 8h de domingo, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e depois retorna à capital para assistir à apuração no Hotel Intercontinental, já no final da tarde, com dezenas de aliados.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, anunciou como ato final em território paulista o evento organizado em Guarulhos, na terça-feira (21), onde prometeu abrir o seu sigilo fiscal e telefônico caso o rival concordasse em ampliar o desafio, o que ocorreu de fato. Ele dedicou o sábado a outras duas capitais da Região Sudeste: comparece primeiro a ato em Belo Horizonte (MG), às 10h, e depois no Rio, às 14h. O candidato também deve votar logo nas primeiras horas do domingo em uma escola municipal de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e depois viaja a Brasília para a apuração.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem contado com a mobilização de Tarcísio para as horas finais em São Paulo. Segundo a equipe do governador, a programação já reúne 93 eventos como carreatas, motociatas, adesivaços e outras manifestações organizadas por prefeitos, deputados e apoiadores. O grupo tem alardeado, no segundo turno, os benefícios de um “alinhamento” ideológico entre os chefes dos Executivos para converter indecisos, além de reforçar o antipetismo e a potencial “aposentadoria” de Lula das urnas.
Lula encerra campanha em São Paulo; Tarcísio mobiliza atos pró-Flávio no estado sem a presença do candidato
