O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou o resultado da pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, que mostrou Ciro Gomes (PSDB) na liderança da corrida pelo governo do Ceará por 19 pontos percentuais. O petista afirmou que seria “quase humanamente impossível” uma derrota do governador Elmano de Freitas (PT) tendo o apoio dele e dos senadores Camilo Santana (PT) e Cid Gomes (PSB) na eleição deste ano.
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A declaração ocorreu nesta sexta-feira durante entrevista de Lula aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”. O presidente foi confrontado com relação aos resultados de pesquisas recentes, incluindo a Datafolha, que mostram Elmano atrás de Ciro.
— O Elmano vai ganhar as eleições. O Ciro Gomes é uma figura conhecida no Ceará. Já foi governador, já foi prefeito, já foi deputado. Agora veja, com o meu apoio, com o do Camilo, com o do Cid, é quase que humanamente impossível o Elmano não ganhar as eleições.
Lula, então, complementa:
— Nós vamos vincular: quem vota no Lula, vota no Elmano.
Críticas a Ciro
Durante a entrevista, Lula voltou a criticar Ciro. O presidente afirmou que o tucano é muito “personalista” e “acha que o mundo gira em torno dele”.
— Eu quando falo do Ciro falo de uma pessoa que gostei muito, não falo de uma pessoa que eu não gosto. O problema é que o Ciro acha que o mundo gira em torno dele. Quantos partidos ele já entrou? A única coisa que presta é o que ele acha que presta. Ele não se enquadra em um coletivo — disse Lula, que completou: — Se ele fosse escrever um livro, o título seria “eu me amo”.
Lula disse, posteriormente, que quer guardar “as lembranças das coisas boas” que fizeram juntos:
— Não vou ao Ceará falar mal dele. Ele tomou o destino dele. Ele achou que ia ser a salva pátria da esquerda e não foi, do centro e não foi. Ele disputou comigo, ele poderia ter ganho de mim. Ele é tão sabido. Ele tem que saber que a grande coisa de alguém que quer ser presidente é ter um pouco de humildade. E ele não tem. Esse é o dado concreto.
Os dois tiveram uma relação próxima, principalmente no primeiro governo Lula, quando o hoje tucano foi ministro da Integração Nacional.
Com o correr dos anos, mantiveram o contato, apesar de alguns ataques pontuais. O clima entre eles, porém, se deteriorou ao longo da eleição de 2018. Lula era o candidato do PT, chegou a ser inscrito na Justiça Eleitoral, mas foi impedido de concorrer por causa de condenação na Lava-Jato — posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os petistas chegaram a oferecer a Ciro a possibilidade ser vice de Lula para depois que ocorresse o indeferimento — desta forma, o tucano assumiria a cabeça da chapa. Ciro classificou a oferta, entre outros termos, de “aberração” e “papelão” e disse que não aceitaria ser um “vice de araque”.
O tucano se candidatou ao Planalto pelo PDT na ocasião e terminou em terceiro lugar, com 12,46% dos votos válidos no primeiro turno.
Vantagem em pesquisa
Representante da oposição ao campo petista no Ceará, Ciro marca 52% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Elmano tem 33%.
Na simulação espontânea, quando o nome dos candidatos não é apresentado ao entrevistado, Ciro marcou 28%, contra 20% de Elmano. Já 43% não sabem em quem vai votar em outubro.
Ciro também está na dianteira na simulação de segundo turno contra o petista. O tucano marca 55% e Elmano, 37%. Outros 5% declaram voto branco ou nulo, e 3% não sabem.
Divulgada pelo jornal O Povo, essa é a primeira pesquisa Datafolha no Ceará após o período de convenções. Ciro busca impedir a sexta vitória consecutiva da aliança petista ao Palácio da Abolição.
O Datafolha entrou em campo entre 10 e 13 de agosto e realizou 1022 entrevistas. A margem de erro máxima prevista é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob os números CE-04292/2026 e BR-00994/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Disputa eleitoral
O PT buscou formas de fortalecer a chapa de Elmano nos últimos meses, em uma articulação que conta com Camilo Santana na linha de frente. Uma das frentes de ação foi a costura da candidatura de Cid à reeleição ao Senado.
Embora tenha uma gestão bem aprovada, Elmano enfrenta a força do espólio político de Ciro no estado. O tucano aposta no discurso da segurança pública e em críticas aos governos petistas na campanha. O ex-ministro encabeça uma chapa composta também pela federação União-PP e o PL.
Integrantes da campanha de Elmano, por sua vez, apostam na avaliação positiva do governo e na participação do presidente Lula em agendas para alavancar as intenções de voto. A associação de Ciro ao bolsonarismo também deve ser tema da campanha.

