Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT realizou neste sábado a sua convenção estadual que oficializou a candidatura do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição na Bahia. O evento também confirma a composição da chapa governista, formada pelo vice-governador Geraldo Júnior (MDB) e pelos candidatos ao Senado Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil, e Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Senado.
Durante o evento, Lula pediu votos e se referiu a Wagner pelo seu apelido de “galego”. O presidente também disse que o PT, quie governa o estado há 20 anos, precisa conquistar o comando de Salvador. A cidade, que foi governada por ACM Neto (União) até 2020, principal adversário de Jerônimo na disputa pelo governo estadual, está, nas palavras do líder petista, “meio largada”.
Um dos político mais próximos de Lula, Jaques deixou a liderança do governo no Senado em junho depois de ser alvo da 9ª fase da Compliance Zero, operação da Polícia Federal que investiga um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
A convenção ocorreu poucos dias após a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, na quarta-feira, que mostrou um cenário de equilíbrio na disputa pelo governo baiano. No levantamento, ACM Neto aparece numericamente à frente, com 39% das intenções de voto, contra 38% de Jerônimo Rodrigues. Considerando a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados. Em um eventual segundo turno, ACM Neto registra 43%, enquanto Jerônimo tem 39%, também em situação de empate técnico.
Apesar da disputa apertada, os indicadores de avaliação do governo permanecem favoráveis ao petista. Segundo a Genial/Quaest, 57% dos baianos aprovam a gestão de Jerônimo Rodrigues, enquanto 34% a desaprovam. A avaliação positiva do governo é de 37%, contra 23% de avaliação negativa e 35% de avaliação regular.
A pesquisa também mostra que 52% dos entrevistados consideram que Jerônimo merece ser reeleito, enquanto 41% defendem a alternância no comando do estado. Ao mesmo tempo, 43% afirmam que o próximo governador deve promover mudanças pontuais na administração atual, 33% avaliam que é preciso mudar completamente o rumo da gestão e 21% defendem a continuidade do trabalho.
Na estratégia eleitoral, o PT aposta na forte associação entre Jerônimo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento aponta que 47% dos eleitores preferem que o próximo governador seja aliado de Lula, ante 14% que desejam um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, 56% identificam Jerônimo como o candidato apoiado por Lula, enquanto 29% associam ACM Neto ao ex-presidente Bolsonaro.
Na disputa pelo Senado, que também será oficializada na convenção, Rui Costa lidera as intenções de voto, com 22%, seguido por Jaques Wagner, com 16%. Na sequência aparecem Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), ambos com 6%. O levantamento também indica um elevado índice de indefinição: 22% dos entrevistados disseram estar indecisos e 24% afirmaram que pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer às urnas.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.200 eleitores em 61 municípios baianos entre os dias 23 e 27 de julho. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob os números BA-02331/2026 e BR-05856/2026.
Horas antes da convenção, Jerônimo, Wagner e Costa afirmaram ter sido alvo de um ataque coordenado nas redes sociais. Segundo a federação partidária liderada pelo PT, os perfis dos três políticos no Instagram passaram a receber, a partir de 1h30 deste sábado, um volume incomum de seguidores falsos, supostamente de origem asiática.
De acordo com a legenda, mais de 70 mil contas passaram a seguir os perfis em cerca de cinco horas. O partido registrou um boletim de ocorrência e afirmou que a ação teria como objetivo criar a narrativa de que os petistas compram seguidores, além de tentar provocar a suspensão das contas pela Meta, já que o crescimento artificial de seguidores viola as políticas da plataforma.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Rui Costa classificou o episódio como um “ataque” e afirmou que o caso já foi comunicado às autoridades.

