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Luminol da UFRJ, substância usada na investigação de crimes, agora pode ajudar a salvar vidas

BRCOM by BRCOM
agosto 22, 2025
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O professor Cláudio Cerqueira Lopes — Foto: Guito Moreto

Quem é fã de filmes e séries policiais vai lembrar da substância que, aplicada na cena do crime, pode apontar vestígios de sangue invisíveis a olho nu e revelar pistas fundamentais para o sucesso de uma investigação. No mundo real, o luminol é fundamental para o trabalho da Polícia Civil do Rio — só neste ano, foi usado em mais de 3.800 exames de locais esquadrinhados pelos agentes. A fórmula usada pela corporação foi desenvolvida em laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) há mais de duas décadas e é considerada um produto de excelência, comparado a concorrentes internacionais. Agora, o reagente de origem carioca está prestes a dar novo passo: poderá ser usado em unidades médicas, onde cada gota de sangue não detectada representa risco de infecção hospitalar. De olho na licença da patente brasileira, a americana Belcher Pharmaceuticals, sediada na Flórida, planeja investir R$ 4,5 milhões para explorar o produto por dez anos, com a perspectiva de gerar royalties à universidade em vendas futuras.

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O luminol é um produto quimioluminescente: brilha, emitindo luz azulada, quando tem contato com sangue. A fórmula patenteada pela UFRJ em 2021 permanece ativa por até seis meses, enquanto similares importados perdem a eficácia cerca de duas horas depois de entrarem em uso. Por essa e outras características, tornou-se referência internacional. Começou a ser desenvolvida em 2002, pelo grupo de pesquisa do professor Cláudio Cerqueira Lopes, do Instituto de Química, no Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape/IQ-UFRJ), com financiamento da Faperj (Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

O professor Cláudio Cerqueira Lopes — Foto: Guito Moreto

Cláudio Cerqueira Lopes empolga-se com a possibilidade de aplicar a tecnologia para salvar vidas. Segundo dados da própria UFRJ, infecções hospitalares provocam cerca de 100 mil mortes por ano no Brasil. Em países como Estados Unidos, França e Holanda, a aplicação de variações do luminol para combater esse problema já trouxe resultados expressivos na redução dos índices de letalidade.

— Existem várias pessoas envolvidas nessa formulação, alunos que faço questão de citar sempre. As infecções hospitalares podem ser o futuro do nosso luminol. Estamos falando de uma molécula singela, mas que pode fazer muita coisa, ao detectar sangue ela não só ajuda a polícia, mas agora também contribui para a saúde pública — afirma o professor.

Ele cita situações concretas, como a prevenção de contaminações graves: com a substância, é possível, por exemplo, detectar vestígios de sangue em equipamentos como a bomba de hemodiálise, que filtra o sangue do paciente. O luminol pode assegurar que a máquina está de fato limpa, pronta para ser usada por outra pessoa.

— Coletamos um pouco do líquido da bomba, colocamos o luminol e, se brilhar, significa que há sangue oculto, que poderia entrar em contato com o corpo de outra pessoa e transferir inúmeras infecções — explica Cláudio Lopes.

O interesse por esse uso hospitalar foi provocado pela leitura de estudos internacionais, como os produzidos sobre a aplicação do luminol na erradicação da ocorrência de hepatite B e C em hospitais.

— Isso me fez pensar se o mesmo poderia estar acontecendo no Brasil. Em 2016, li um artigo dos Estados Unidos mostrando que detectaram sangue em salas de laparoscopia. Se essa sala não for bem higienizada, você tem um foco de contaminação. Num hospital, isso é inadmissível — observa o professor.

Buscando aumentar as possibilidades do luminol, Cláudio Lopes conta que ampliou a fórmula para que possa quantificar o volume de sangue em cenas de crime, o que aumenta a precisão das investigações. Para a área da saúde, uma aluna está desenvolvendo estudos para identificar e quantificar sangue oculto nas fezes, o que pode ajudar a prevenir a incidência de câncer na área de gastroenterologia.

Fotos do caso de feminicídio. Manchas de sangue foram reveladas pelo luminol na casa do criminoso — Foto: Reprodução
Fotos do caso de feminicídio. Manchas de sangue foram reveladas pelo luminol na casa do criminoso — Foto: Reprodução

Emanuel Catori, presidente da Belcher no Brasil, reafirma as vantagens que o produto da UFRJ apresenta. Ele explica, ainda, que a empresa americana planeja conduzir estudos-piloto e validações em hospitais de referência brasileiros, para reunir dados robustos de eficácia e segurança antes de expandir a distribuição no mercado internacional.

—A fórmula desenvolvida pela UFRJ apresenta maior estabilidade química e um prazo de validade significativamente superior ao de luminóis tradicionais. Isso permite transporte, armazenamento e uso com menor perda de eficiência, o que é particularmente relevante em ambientes hospitalares de alta demanda — afirma Catori.

De acordo com o representante da Belcher, após a conclusão do licenciamento e das etapas regulatórias junto à Anvisa, hospitais brasileiros devem receber o produto em prazo estimado entre 12 e 18 meses. Segundo o executivo, as atuais tensões entre Brasil e os EUA, e o tarifaço imposto pelo governo Trump, não impactaram a negociação.

— O foco da aplicação da tecnologia será em centros cirúrgicos, UTIs e áreas de esterilização, onde o controle de infecções e a detecção de contaminações têm impacto direto na segurança do paciente — acrescenta ele.

Na Inova UFRJ, setor, responsável por gerenciar o licenciamento de tecnologias da universidade, o processo de negociação com a farmacêutica americana poderá transferir um ativo da instituição para uma empresa capaz de produzi-lo em escala industrial. Segundo o coordenador de inteligência Estratégica da Inova UFRJ, Diego Allonso, esse movimento é necessário porque o laboratório do Instituto de Química não tem estrutura para fabricar mais kits do que os enviados mensalmente à Polícia Civil.

— Há algum tempo estamos tentando encontrar empresas interessadas não somente em adquirir essa tecnologia, mas também produzi-la numa escala que nós, enquanto universidade, não conseguimos produzir e comercializar, e levá-la à sociedade — afirma Diego Allonso. — A gente tem expectativa bastante positiva de conseguir finalizar esse processo nos próximos dias, eventualmente finalizar o contrato ainda esse ano.

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  • Parceria com a Polícia Civil
  • Episódios em que a ciência trouxe pistas
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Parceria com a Polícia Civil

O contrato, uma vez sacramentado, terá validade de exploração por dez anos. Hoje, a UFRJ tem capacidade para produzir 30 litros de luminol por mês, volume que só é suficiente para atender a demanda da Polícia Civil.

— Desde os anos 2000 nós recebemos o luminol da UFRJ. Já usamos outras fórmulas estrangeiras, mas não tem comparação: a universidade consegue entregar kits já manipulados para a gente, a fórmula é mais sensível, ou seja, consegue identificar os mínimos resíduos de sangue, e tem uma validade maior que as outras — explica Diego Carvalhosa Rissi, perito legista da Secretaria de Polícia Civil e diretor do Centro de Estudos e Pesquisas Forenses (Cepf).

A perita criminal Claudiane Canuto, também do Cepf, aponta outra vantagem no produto nacional: desde as primeiras experiências em campo, houve troca de informação constante com o professor responsável e o laboratório, o que contribuiu para o aprimoramento da fórmula.

Episódios em que a ciência trouxe pistas

Chacina da Baixada — Foto: Sérgio Meirelles / 01-4-2005
Chacina da Baixada — Foto: Sérgio Meirelles / 01-4-2005

Um dos casos mais emblemáticos de uso do luminol em investigações no estado foi o da chacina da Baixada Fluminense (foto), em Nova Iguaçu e Queimados, no dia 31 de março de 2005, quando 29 pessoas foram mortas. Em apresentações na UFRJ, peritos destacaram como o reagente criado na universidade permitiu a revelação de vestígios de sangue, contribuindo para a reconstituição de cenas e para prisões e condenações de ex-PMs envolvidos.

O executivo Zera Todd Staheli e sua mulher, Michelle, foram mortos em 2004, dentro de casa, na Barra da Tijuca. Na investigação do crime contra o casal de americanos, o luminol nacional permitiu a identificação de marcas de sangue em áreas já limpas. O caso foi tema do evento “CSI no Rio: o uso do luminol na detecção do sangue oculto”, realizado em 2009 na UFRJ.

Morte de comerciante chinês

Em 2003, o comerciante chinês Chan Kim Chang, detido tentando sair do país com US$ 30.550 não declarados, foi morto dentro do presídio Ary Franco. O kit de luminol foi fundamental para comprovar que ele foi espancado, e não teria sofrido um surto, como alegavam suspeitos do crime.

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