Pesquisadores descobriram no oceano Índico o maior cemitério de baleias já identificado no mundo, com cerca de 500 esqueletos, alguns deles com até 5,3 milhões de anos de antiguidade, segundo um estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (10).
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Distribuídas ao longo de um corredor de 1.200 milhas a oeste da Austrália, essas carcaças de cetáceos sustentam todo um ecossistema, no qual muitos organismos podem ser desconhecidos para a ciência, de acordo com o estudo.
Os cientistas acreditam que tantas baleias morreram nessa área porque ela é uma importante zona de alimentação. Além disso, trata-se de uma fossa em forma de V que canaliza as carcaças para as profundezas marinhas.
Trata-se de uma “descoberta realmente única”, afirma o paleontólogo americano Stephen Godfrey, que a compara à identificação, em 1977, de fontes hidrotermais repletas de vida no fundo dos oceanos.
“O fóssil mais antigo, assim como muitos crânios mais recentes, mostra que as ‘quedas de baleias’ se acumularam neste local de forma ininterrupta durante pelo menos cinco milhões de anos”, escreveu ele em um artigo publicado juntamente com o estudo da Nature.
Já se sabia que, quando as baleias morrem, seus corpos afundam até o fundo dos oceanos e alimentam a fauna das profundezas, em um fenômeno conhecido como “queda de baleias”.
Mas os cientistas ficaram “estupefatos” ao compreender a dimensão da descoberta, disse à AFP o principal autor do estudo, Xiaotong Peng, da Academia Chinesa de Ciências, que acessou o local a bordo de um pequeno submarino.
“Descobrir uma necrópole de tal magnitude foi totalmente inesperado. A extensão da distribuição, a profundidade e a variedade de idades superam tudo o que imaginávamos”, explicou o pesquisador.
Em 2023, os cientistas chineses realizaram 32 imersões a bordo do submersível Fendouzhe nessa região do oceano Índico, denominada Diamantina.
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“Os ecossistemas florescentes que vimos nos deram uma perspectiva completamente diferente do ambiente ao redor”, disse Peng Zhou, coautor do estudo.
Ao redor dos esqueletos, foram encontrados organismos como medusas, ofiúros, parentes das estrelas-do-mar, vermes-zumbis e moluscos bivalves.
A maioria dos 485 fósseis de cetáceos registrados pertence à família das baleias-de-bico, incluindo uma espécie até então desconhecida e atualmente extinta.
Com base no número de fósseis encontrados, os autores estimam que mais de 10 milhões de esqueletos possam estar espalhados pelo fundo do oceano na região de Diamantina.

