
Nove montadoras anunciaram nesta sexta-feira (21) recalls que somam cerca de 4,3 milhões de veículos na China, no que é considerado o maior recall automotivo da história do país. A campanha envolve problemas relacionados às maçanetas retráteis ou aos sistemas de abertura emergencial das portas, que podem dificultar a saída de ocupantes ou o acesso de equipes de resgate após acidentes.
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A Tesla responde pela maior parte do recall, com 2,98 milhões de veículos Model 3, Model Y, Model S e Model X, importados ou fabricados na China. O procedimento terá início em 25 de setembro. Também estão envolvidos veículos das montadoras Xiaomi, Leapmotor, Xpeng, Geely, Chery, Dongfeng, BAIC e FAW.
Problemas nas maçanetas
A Administração Estatal de Regulamentação do Mercado da China informou que a maioria dos recalls busca solucionar problemas relacionados às maçanetas mecânicas de emergência. Em situações de colisão grave acompanhada de falha no sistema elétrico, os dispositivos podem ser difíceis de localizar ou acionar, dificultando a saída dos passageiros e o resgate de pessoas presas no interior dos veículos.
No caso da Tesla, a solução inclui a instalação gratuita de etiquetas de advertência para indicar a localização das maçanetas e uma atualização remota de software que fará com que os vidros sejam baixados automaticamente depois que uma colisão for detectada.
O recall também inclui 2,74 milhões de veículos Model 3 e Model Y fabricados na China, produzidos entre 4 de março de 2019 e 7 de dezembro de 2025. Nesse caso, o objetivo é aprimorar o sistema de monitoramento de atenção do motorista durante o uso de recursos de condução parcialmente automatizada, como o Autosteer.
A montadora informou que disponibilizará uma atualização gratuita de software para reforçar o monitoramento por câmeras instaladas no interior da cabine, que passarão a trabalhar em conjunto com sensores de torque no volante. O objetivo é verificar com maior precisão se o motorista permanece atento e está preparado para assumir o controle da direção e da frenagem quando necessário. Veículos que não puderem receber a atualização remotamente deverão ser encaminhados a centros de serviço.
Fiscalização de elétricos
O recall ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre a indústria de veículos elétricos na China, maior mercado automobilístico do mundo. Pequim vem adotando regras de segurança mais rígidas enquanto as montadoras disputam consumidores em uma guerra de preços e ampliam o uso de novas tecnologias.
As maçanetas embutidas, popularizadas pela Tesla e posteriormente adotadas por diversas fabricantes chinesas, estão no centro da preocupação dos reguladores. O governo chinês anunciou em fevereiro que pretende proibir, a partir de 2027, o uso de maçanetas totalmente retráteis em veículos novos. Modelos semirretráteis, que permanecem parcialmente expostos, poderão continuar sendo utilizados.
A preocupação ganhou força após relatos de acidentes nos quais ocupantes e equipes de resgate tiveram dificuldade para encontrar ou operar os mecanismos de abertura das portas. Um dos casos que repercutiram na China envolveu um veículo elétrico da Dongfeng que bateu em um caminhão e pegou fogo. O motorista conseguiu sair, mas teve dificuldades para reabrir as portas e retirar os passageiros do veículo.
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O design também passou a ser analisado nos Estados Unidos. Em julho, a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão federal de segurança viária americano, anunciou que começaria a elaborar uma nova regulamentação para exigir sistemas de abertura das portas que sejam mais evidentes e funcionem de maneira robusta em situações de emergência.
A Tesla enfrenta ainda processos nos Estados Unidos relacionados às maçanetas eletrônicas. Na Califórnia, familiares de dois estudantes que morreram após um acidente envolvendo um Cybertruck afirmam que os jovens não conseguiram deixar o veículo em chamas porque as portas eletrônicas ficaram desativadas e os mecanismos manuais eram difíceis de localizar. A Tesla contesta as alegações na Justiça.
Além da Tesla, Xiaomi, Leapmotor e Xpeng também anunciaram nesta sexta-feira seus maiores recalls já realizados na China. A Xiaomi convocará cerca de 390 mil veículos; a Leapmotor, 371 mil; e a Xpeng, 265 mil. Geely, Chery, Dongfeng, BAIC e FAW também participam da campanha, com volumes menores.
