Cristiano Ronaldo já havia traçado os planos para a aposentadoria. O problema — ou mérito — é que seu corpo e sua carreira não seguiram o calendário previsto. Em 2015, quando tinha 30 anos e ainda defendia o Real Madrid, o português afirmou que pretendia jogar por apenas mais “quatro ou cinco anos” e depois aproveitar a fortuna acumulada no futebol para viver “como um rei”. Onze anos depois, CR7 continua em atividade e só agora, aos 41, admite que a despedida dos gramados está realmente próxima.
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A declaração feita há mais de uma década voltou a ganhar significado depois que Cristiano indicou, em entrevista à revista Vogue publicada neste domingo (16), que pode estar disputando sua última temporada como jogador profissional.
— Este provavelmente é meu último ano no futebol e quero deixar um legado espetacular — afirmou o atacante, acrescentando que já tem “tudo planejado” para a vida depois dos gramados.
O cenário é bastante diferente daquele imaginado por Cristiano em 2015. Na ocasião, em entrevista à revista portuguesa “Caras”, o atacante calculava que encerraria a carreira por volta de 2019 ou 2020.
— Acho que vou jogar mais quatro ou cinco anos e depois quero viver como um rei — afirmou à época.
Cristiano estava no auge de sua passagem pelo Real Madrid. O português já acumulava três Bolas de Ouro, havia conquistado a Liga dos Campeões de 2014 pelo clube espanhol e era uma das principais estrelas do futebol mundial. A aposentadoria antes dos 35 anos, porém, ficou apenas no planejamento.
Nos anos seguintes àquela entrevista, CR7 conquistou mais duas Bolas de Ouro, outras três Ligas dos Campeões pelo Real Madrid e, pela seleção portuguesa, a Eurocopa de 2016 e três edições da Liga das Nações. Também passou por Juventus e Manchester United antes de chegar ao Al-Nassr, da Arábia Saudita, no início de 2023.
A longevidade levou o atacante muito além dos “quatro ou cinco anos” que imaginava ter pela frente. Em 2026, Cristiano chegou à sexta Copa do Mundo da carreira e ajudou Portugal a alcançar as oitavas de final. Aos 41 anos, soma 950 gols como profissional.
A forma como o português enxerga a vida depois do futebol também mudou. Se em 2015 falava em desfrutar do dinheiro acumulado ao lado de familiares e amigos, agora reconhece a necessidade de encontrar atividades capazes de ocupar o espaço deixado por mais de duas décadas dedicadas ao esporte.
— Tenho muitas coisas que me mantêm ocupado, então dizer uma só seria difícil — disse à Vogue, ao citar viagens e partidas de padel entre seus planos. — O futebol pode deixar um grande vazio, então você tem que preencher o tempo de várias formas, não apenas uma.
A vida pessoal também passou por transformações desde a primeira previsão de aposentadoria. Em 2015, Cristiano falava sobre a criação do então pequeno Cristiano Júnior, de cinco anos, e dizia evitar algumas mordomias apesar da fortuna. Nesta semana, mais de uma década depois, o jogador se casou com Georgina Rodríguez em uma cerimônia íntima em Cascais, nos arredores de Lisboa.
Agora, o português parece disposto a cumprir, ainda que com vários anos de atraso, parte daquele plano revelado em 2015.
— Quero continuar desfrutando do que conquistei, do que conquistamos. Afinal, foram 25 anos de muito sacrifício — afirmou.
